Julho 08, 2008

Jornalismo?

Maria Morena é o pseudónimo de uma jornalista que assina um trabalho na edição desta semana da Notícias Sábado. Essa jornalista ficou grávida, decidiu fazer um aborto e depois contar a sua “estória”. O relato é acompanhado por uma conversa com a médica que a atendeu, de uma pequena caixa com o resultado de 38 telefonemas para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde que realizam abortos e outra com os números das interrupções voluntárias da gravidez.

Estes artigos levantam algumas questões:

1 – Estamos perante o exercício de jornalismo?

2 – O que um jornalista escreve é jornalismo se cumprir o aspecto formal dos géneros jornalísticos? Depende dos temas? Depende da intenção? Depende do meio em que for publicado? De que depende?

3 - Há alguma diferença substancial entre fazer um aborto e contar a “estória” na primeira pessoa, entre fazer uma dieta e escrever sobre a perda de peso ou entre ir viver três meses para rua uma reportagem sobre os sem abrigo?

4 – Verifica-se alguma colisão com o artigo 1.º do Código Deontológico, que diz que «o jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público»?

5 – E em relação ao artigo 10.º do Código Deontológico, que refere que «o jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses»?

6 – O Estatuto do Jornalista estipula que «é condição do exercício da profissão de jornalista a habilitação com o respectivo título, o qual é emitido por uma Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, com a composição e as competências previstas na lei». É diferente o texto estar assinado com o nome que a jornalista tem na carteira profissional ou estar assinado com um pseudónimo?

7 – Estamos perante uma verdadeira entrevista quando a autora do texto diz: «decidi [...] também convidar a médica Maria José Alves a escutar as minhas questões, enquanto jornalista; já tinha escutado também os meus apelos, enquanto paciente, no pico da agonia»? Onde termina a paciente e começa a jornalista? Onde termina a médica-assistente e começa a entrevistada?

8 – A mulher fotografada é a jornalista? Se é, para quê o anonimato, uma vez que ela será facilmente reconhecida nos meios mais próximos? Se não é, a imagem visa exactamente o quê?

Sobre este assunto, o comentário de Ademar Santos no Abnoxio



Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 00:36:45 | Link permanente | Comments (0) |

Julho 07, 2008

Farto

Pelos vistos, a noticia de hoje é um incêndio num prédio em Lisboa que desalojou não sei quantas pessoas. Mais do mesmo, portanto. Enchem-se jornais com estas futilidades. E eu contigo sem perceber a sua utilidade. No resto do país, há situações mais graves que nem sequer merecem uma nota de rodapé...Enfim...

Mas este é também o reflexo do Portugalzinho que temos. Apontam-se espingardas mas não se dá um tiro, tal como na famosa revolução lusa. O serviço público de televisão tem espalhado pelo país, um conjunto de correspondentes e delegações: a sua grande maioria vai fazendo, estoicamente, o seu trabalho. Excepto um caso: Viana do Castelo.

Houve um acidente com um autocarro que provocou um morto? Nem uma referência na televisão pública! S. João em Braga? Nem uma referência! Acidente em Famalicão com uma ambulância ? Nem uma refêrencia! Incêndio num prédio no centro de Braga com um morto? Nem uma referência!

Desculpem o desafabo: mas eu estou a marimbar-me se a televisão pública tem uma delegação em Braga, Guimarães ou Viana do Castelo. Eu quero é que a delegação afecta ao Minho se comporte com dignidade e faça o seu trabalho. Não estamos nós a alimentar uma delegação que não existe, nem serve para nada? Querem uma prova? Jornal das regiões ao final da tarde na RTP. Quantas reportagens feitas no Minho pela delegação do Minho passaram ao longo do mês de Junho no dito programa? Uma!!! E feitas por Vila Real? 8. Por Bragança? 10. Por Viseu? 6.

Não deveriam os políticos mudar o azimute das suas queixas e centrarem-se neste escândalo? Não deveriam os políticos regionais direccionar as suas queixas para este sorvedouro de dinheiros públicos, inexistente e ineficaz, logo incompetente e pugnar pelo seu encerramento? Sim, eu prefiro não ter do que ter uma coisa que não serve para nada. E o que temos quando temos é mau. Lembro-me de um reportagem feita, recentemente, na Galiza: cheguei ao fim e não percebi nada, nem o alcance nem os objectivos.

Só no dia a seguir é que se me fez luz: ao actualizar a leitura dos jornais percebi que a dita reportagem tinha saído de um jornal nacional. E fiquei convencido que quem a fez nem a noticia leu. Ouviu o que lhe pediram para fazer; foi lá, quem sabe contrariada, e pronto já está...

Será que sou eu o único a estar farto desta forma de encarar e de fazer as coisas?
Escrito por Pedro Antunes em 11:49:23 | Link permanente | Comments (0) |

Julho 04, 2008

Consumo de Rádio on-line aumenta no Reino Unido

Segundo revela o jornal Briefing, o número de ouvintes de rádio on-line, bem como de podcasts, aumentou desde Novembro 2007.

Um estudo realizado pela Rajar (Radio Joint Audience Research) revelou que,
no Reino Unido, 14,5 milhões de cibernautas ouvem rádio a partir da internet, mais 2,5 milhões que em Novembro.
O podcast também se tornou mais popular, sendo que o número de downloads aumentou de 4,3 milhões para 6 milhões. Um dado surpreendente, mas sem dúvida
 interessante da pesquisa foi o facto de 53% dos inquiridos admitir fazer o download de podcasts com publicidade, caso estes fossem disponibilizados gratuitamente. Um factor que altera uma ideia pre-concebida de rejeição.

É verdade que esta é uma realidade britânica, mas, não teremos em Portugal, indicadores semelhantes?

Escrito por Pedro Costa em 11:09:37 | Link permanente | Comments (0) |

Junho 30, 2008

Adelino Gomes é o novo Provedor do Ouvinte na RDP

O jornalista Adelino Gomes é, desde o passado dia 23 de Junho, o Provedor do ouvinte da RDP. Este nome foi aprovado pelo Conselho de Opinião da RDP para o cargo, no qual sucede a José Nuno Martins.
Em declarações à agência Lusa, Adelino Gomes afirmou que irá dar continuidade ao trabalho do provedor cessante «embora com as características de alguém que esteve essencialmente na informação, enquanto José Nuno Martins esteve sobretudo na programação».
No entanto, quanto a mim, por muito boa que esta nomeação seja, não apaga a mancha de vergonha que marcou o "chumbo" da primeira proposta do Conselho de Administração, para Provedor: Francisco José Oliveira. Parece-me que o comunicado da não aprovação deste primeiro nome apontado, atenta à dignidade profissional e ao bom nome do visado, chegando a roçar o insultuoso.

NOTA: É de bom tom referir aqui que há uma relação de colaboração e amizade que me une a Francisco José Oliveira, no entanto, é essa proximidade que me permite afirmar, com conhecimento de causa, que se trata de uma das pessoas que mais sabe do fenómeno rádio, em Portugal.
 
Escrito por Pedro Costa em 12:22:38 | Link permanente | Comments (0) |

A (alegada) violação III

O Provedor do Leitor do Diário de Notícias escreve esta semana sobre o caso de alegada violação no Enterro da Gata, em Braga, um assunto com que levanta muitas e diversificadas questões.

«A notícia que é hoje objecto de análise nesta coluna (elaborada, recorde-se, com a colaboração da alegada vítima) é uma contribuição positiva, por parte do DN, para que a euforia das celebrações dos estudantes se contenha em limites razoáveis», escreve Mário Bettencourt Resendes.


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 00:31:37 | Link permanente | Comments (0) |

Junho 29, 2008

Jornalista ou tradutor?!

Leiam a notícia que se segue (é preciso saber Francês...) e depois tentem responder à pergunta do título...

Zimbabué/Eleições: Mugabe pronto a dialogar, diz ministro angolano Marcos Barrica

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 20:10:57 | Link permanente | Comments (0) |

Junho 26, 2008

O Trânsito de volta à (rádio)discussão!

Continua actual, a eterna discussão em torno da problemática da informação de trânsito, na rádio em Portugal.
Os centros de decisão continuam a ter sede na cidade, onde falar de tráfego é tão natural como falar de praia no Algarve.
De facto, imagine-se que a capital portuguesa era Albufeira, e havia de ser o bom e o bonito, as emissoras nacionais passarem os meses de verão a emitir versões de noticiários em inglês, além de disseminarem pelo país (im)pertinentes informações sobre marés, bandeiras azuis, verdes ou vermelhas e indíces de raios UV.

Consigo imaginar o "Sê Manel", em Mirandela a franzir o sobrolho, preocupado com o engarrafamento na Fontes Pereira de Melo... e duvido que o "Xôr Zéi", em Penalva do Castelo, não pense em semáforos, quando ouve dizer que há "sinal vermelho" no IC19 (por acaso, uma via rápida sem eles).

Eu continuo a achar que a Informação de Trânsito, na rádio, tem uma importância relativa.
Importante na Grande Lisboa, relativamente importante no Grande Porto, pouco importante (e até dificil de manusear) nas cidades de média dimensão e completamente desinteressante (chegando a ser irritante) para os ouvintes de 90% do território nacional.

No meio de tudo isto, há quem ache importante que o protagonista/reporter desta informação se "aproxime" do ouvinte, usando o seu vocabulário, entendendo e tentando resolver os problemas dele, solidarizando-se com ele, e até protestando junto com ele...
E eu só pergunto: Mas, qual ouvinte!!!
 
Escrito por Pedro Costa em 23:28:31 | Link permanente | Comments (1) |

Ops! II





Não acontece só aos regionais.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 13:46:49 | Link permanente | Comments (0) |

Rui Pereira na Velha

O jornalista e investigador do Centro de Estudos Comunicação e Sociedade do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho Rui Pereira é o convidado de hoje da Conversa no Tanque, que decorre a partir das 22h00, na Velha-a-Branca – Estaleiro Cultural, em Braga.

Segundo a Velha-a-Branca, Rui Pereira «estudou Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa e é pós-graduado em Documentário pela Escola Superior de Jornalismo da Faculdade de Letras do Porto. Trabalhou em rádio e em diversos jornais, nomeadamente durante 13 anos na redacção do seminário Expresso. Recebeu, entre outros, o Prémio Gazeta de Revelação em Jornalismo. É autor e co-autor de diversos livros relacionados com estudos mediáticos e com a situação Basca, que segue como investigador e jornalista. Traduzido para espanhol, francês e italiano, é comentador regular na rádio e televisão».


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 13:40:25 | Link permanente | Comments (0) |

Junho 25, 2008

A comunicação da (in)segurança




O Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa, recebe amanhã e sexta-feira o I Seminário Internacional A Polícia e os Media, subordinado ao tema “A comunicação da (in)segurança”. O programa pode ser encontrado aqui.



Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:39:49 | Link permanente | Comments (0) |