Porque é que tem de ser assim?
Alexandre Gamela, n’O Lago
Alexandre Gamela, n’O Lago
De hecatombe em hecatombe, a televisão portuguesa caminha para o suicídio…Vai-se salvando a Conceição Lino…
A revista “Sábado” chama para editorial esta questão e coloca alguns dedos na ferida: “Não é preciso perder muito tempo com a atitude de Azeredo Lopes: o homem que tem por função, entre outras, assegurar o respeito pela liberdade de imprensa exigiu vetar o nome de um jornalista. Como já se percebeu que dali não virá protecção nenhuma a essa liberdade, a posição mais complicada é a do “Expresso”".
A direcção da Sábado aproveita e diz ao semnário: “pessoas exteriores às redacções não podem escolher que jornalistas escrevem o quê–porque essa escolha não pode ser um prémio ou uma punição por aquilo que eles escreveram antes. Senão, no futuro, eles passarão a estar mais preocupados com o poder daqueles que atingem do que com a verdade. Em situações de normalidade, a liberdade de imprensa não é feita de grandes frases, é feita de pequenas escolhas”.
O editorial termina de uma forma lapidar: “o símbolo máximo do jornalismo de referência em Portugal decidiu negociar com um potencial entrevistado como se estivesse num mercado de rua em Marrocos. E aceitou pagar um preço alto por uma entrevista que vale perto do zero”.
Concordando com as declarações da direcção da revista “Sábado”, acho que a questão demasiado importante para ficar confinada a um papel. Esta deveria ser a discussão do momento, entre a classe. Em causa, está a profissão enquanto tal.
Mais de metade dos inquiridos (52,8%) respondeu «não sabe/não responde», à pergunta «a televisão digital é melhor do que a analógica?». Sintomático!
Numa futura campanha de sensibilização em relação a estes assuntos, a maioria dos inquiridos (64,5%) quer ver explicado «o que é a TDT e televisão digital».
Outra conclusão interessante: Dois em cada três dos inquiridos ainda não reflectiu acerca de quando planeia aderir à TDT.
De referir que a esmagadora maioria dos inquiridos, 82,5% mais concretamente, acha que não devia ser o consumidor a pagar o equipamento para a conversão, sendo este indispensável.
Em termos técnicos, a TDT baseia-se no sistema Digital Video Broadcasting Terrestriam (DVB-T), norma escolhida pelos países da União Europeia. Além de duplicar o número de canais gratuitos pela rentabilização do espectro, a TDT permite uma imagem mais nítida e um som mais limpido.
O JN traz hoje este título que me fez pensar que ser porco, nem é mau de todo!
Agora, das duas, uma:
- Ou os músicos (com a indústria fonográfica na sombra) tinham razão, e este Natal já vai ser um “fartote” de discos vendidos (que não da Popota);
- Ou a montanha vai parir um rato e com o fim do mito “As Rádios não gostam da Música Portuguesa” terão que arranjar novas desculpas para a deficiente quantidade e qualidade da música que por cá se faz.
Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, com a aprovação do diploma, é adoptada a regra da «oficiosidade» no registo dos operadores de rádio e televisão. «Com esta medida, o Governo introduz medidas para a redução dos encargos administrativos e em alguns casos com a desmaterialização dos mecanismos de registo». No que concerne à imprensa, o decreto elimina a prova de regularidade das publicações periódicas.
O comunicado refere que «por razões de economia legislativa, o diploma regulamenta as disposições previstas na Lei de Televisão relativas ao registo da actividade de televisão que consista na difusão de serviços de programas televisivos exclusivamente através da Internet e ainda o registo dos operadores de distribuição».
Nota: Quanto a mim, serve esta desburocratização, para simplificar de 10 em 10 anos (na renovação das licenças da TV e da Rádio) e propulsionar mais títulos de imprensa. Há mais vantagens?
Quanto a Internet, são outros “carnavais” mais globais!
Foi há um ano que o programa “Trio de Jornalistas”, do Rádio Clube – Minho, começou a ser complementado por este blogue.
No início, o blogue terá causado algum espanto, pelo facto de quatro jornalistas (sim, nós temos a originalidade de sermos um trio de quatro!) de órgãos de comunicação diferentes se proporem problematizar o mundo dos media. Mas a surpresa inicial já passou…
Ao longo deste ano, nem sempre conseguimos manter a regularidade que seria desejável. Mas mantivemos-nos fiéis ao princípio de analisar o que nos pareceu ser mais relevante, mesmo quando era mais cómodo assobiar para o ar.
Embora tenha sérias dúvidas em relação aos jornalistas-comentadores-de-tudo-e-mais-alguma-coisa, é forçoso reconhecer que, por vezes, há jornalistas que se esquecem de que são cidadãos.
A cultura do princípio da objectividade levada ao extremo pode transformar os jornalistas em meros “pés de microfone”, em porta-vozes acríticos de interesses mais ou menos identificados.
Como cidadãos de pleno direito, os jornalistas devem começar por reflectir sobre o seu exercício profissional, essencial para uma sociedade democrática e plural.
Um dos riscos desta profissão – assim como das outras – é deixarmos de pensar sobre as práticas quotidianas. Questões como quem faz, como faz e em que condições é que faz são importantes para perceber o jornalismo que temos e que poderemos vir a ter.
Entre os que insistem na crucificação dos jornalistas por tudo o que acontece e os que defendem a sua desculpabilização total, é preciso encarar a realidade.
Os blogues têm contribuído para o aumento do escrutínio do jornalismo, o que me parece muito positivo. Os jornalistas não podem ficar à margem desta análise, fazendo de conta que não é nada com eles.
A reflexão deve ser feita internamente, mas também em articulação com os agentes com os quais inevitavelmente o jornalismo se cruza.
É isso que nos propomos continuar a fazer por aqui. Com quem se quiser juntar a nós, jornalista ou não.
Obrigada a todas/os.
Foto retirada daqui.
Acompanhei, este fim-de-semana, o XI Congresso de Radiodifusão da APR, em Vila Real.Porque é que este congresso pode ter sido histórico?
Porque na sessão de abertura, Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, com a tutela da Comunicação Social, demonstrou que o Governo PS já não está tão conservador como o demonstrou até agora, sempre que abordou o tema Nova Lei da Rádio, à mesa das negociações, ou não…
Nesta sessão o Ministro anunciou um “simplex” para o sector da rádio, num conjunto de medidas supostamente facilitadoras, mas que me pareceram “encobridoras” do cerne da medida. Na verdade, estarão por aí a chegar legítimados e legalizados grupos de media a desmultiplicar cadeias de rádio por esse Portugal fora que, segundo o Ministro, vão tornar competitivo o panorama de rádio actual que está pejado de microempresas.
Santos Silva do 8 ao 80… e aí está a construção do novo paradigma da rádio em Portugal (a mim apetece-me torcer o nariz de desconfiança com este presente)
Enquanto formos vivos é sempre altura de perder “virgindades”. Ontem, perdi mais uma…finalmente. Aguentei cinco minutos a ouvir dois pataratas a fazer comentários a um jogo de futebol num canal privado em sinal aberto. Bom, cinco minutos é como quem diz…Ia tendo fraquezas e lá carregava eu no botão. Mas voltava tudo ao início. A primeira parte de sonho do Sporting ”das melhores que já vi” foi “o pior Porto de que há memória”. A segunda parte “à Porto” obrigou “o Sporting a tirar o pé do acelerador”.
Os cruzamentos milimétricos do Miguel Veloso transformaram-se em “bolas para ninguém”. O pior jogador do Porto, Hulk, “um jogador individualista e que não tem lugar nesta equipa”, marcou “um hino ao futebol egoísta”. Enfim, as patetices lá continuaram. Espero que a ERC faça o seu trabalho e explique a diferença entre opiniões e comentários e já agora que diga aos senhores Valdemar Duarte e Bruno Prata que os espectadores são inteligentes, que a grande maioria não é cega e que não queremos saber as opiniões deles porque temos inteligência suficiente para formular as nossas.
A cereja em cima do bolo foram as apelidadas entrevistas rápidas: Rochemback teve direito a duas perguntas (logo a abrir Sousa Martins perguntou-lhe qual era a sensação de falar um penalti–deve ser de absorção mas ao contrário, digo eu) e as curtas respostas do brasileiro bastaram ao jornalista. Seguiu-se Helton, o guarda-redes portista. Foram cinco minutos de perguntas à procura de sangue. Teve azar: saiu-lhe um jogador que é dos menos maus a falar.
Entra em cena Jesualdo Ferreira. Sousa Martins tinha tanta coisa para perguntar que o treinador portista teve direito a uma frase por resposta. Qualquer tentativa de desenvolvimento era logo cortada. “Tenho ainda mais 50 para lhe fazer, despache lá isto”, terá pensado Sousa Martins. Com isto tudo, nada de Paulo Bento. O treinador do Sporting ainda não tinha chegado ao local e o tempo para o directo havia-se esgotado.
Pergunto: perante a ausência de contraditório vai a ERC fazer o quê? Sendo a Entidade tão zelosa com esta matéria (dizem as estatísticas) espero que tome uma posição pública. Ou será que há filhos e enteados para a ERC? Porque depois de de um jogo como aquele, pode-se tolerar tudo, agora o que não se tolera é não ouvir o Paulo Bento!