A culpa é sempre dos jornalistas!
Problematizar o mundo do jornalismo num contexto regional é um dos desafios assumidos pelo “Trio de Jornalistas”. Uma vertente definida desde a primeira hora deste projecto, feito a várias vozes e teclados, é falar da profissão. Para os que sonham com ela, para os que a vivem no seu dia-a-dia, para os que a estudam e para os que com ela são confrontados, seja através da rádio, da televisão, imprensa ou da Internet.
Dizer mal dos jornalistas está na moda. A culpa é sempre, e invariavelmente, deles. Às vezes é, de facto. Pela pressa, pela preguiça, pela ignorância, pelos interesses, etc… Mas circunstâncias há em que eles são meros bodes expiatórios. Em que são, apenas e tão somente, o elo mais fraco da corrente.
Os jornalistas inserem-se num contexto de produção mais vasto. Ao contrário das imagens que povoam os sonhos juvenis, e como diz Fernando Correia, no clássico “Os jornalistas e as Notícias” (1997), estamos longe do «pretenso jornalista autónomo e senhor absoluto da sua vontade». Estamos, antes, perante «um profissional sujeito, como qualquer outro, às vicissitudes e constrangimentos de um emprego e de um patrão».
Igualmente ao contrário do que muita gente faz questão de sublinhar, os jornalistas não são (todos) semi-analfabetos, incultos, incapazes de um raciocínio próprio e alarves. Embora tenha, assumidamente, reticências quantos aos jornalistas serem, de repente, comentadores de tudo e mais alguma coisa, até com colunas fixas, é preciso reconhecer que não estamos perante um bando de seres acéfalos, que se comportam como os bobos da corte.
É destes e de outros bastidores que vos queremos falar. Se falharmos, então a culpa é dos jornalistas. Como (quase) sempre…