A Morte em Directo!
O acto de comunicar em rádio contém uma multiplicidade de registos, funções e expressões que estão interligadas e que criam uma teia de comunicação, a que muitos chamam de… “magia”.Vou ter todo o prazer de escrever sobre isto, um destes dias, quando, o que tiver para dizer, não estiver conspurcado com alguma vergonha. Não é o caso.
Basicamente (como alguém diria) há, no vasto mundo dos “rádio-comunicadores”, os jornalistas (editores, narradores, pivots, repórteres etc. e tal) e os animadores (locutores, entretainer’s, humoristas, voz-off’s, e afins). Sabemos, também, que estamos a falar de dois mundos pouco (em alguns casos, nada) compatíveis.
Se em boa verdade, os primeiros assumem um papel importante, informando e narrando factos, sob determinadas regras e princípios éticos, a importância dos segundos deve ser respeitada e reconhecida como uma componente de comunicação complementar e não alternativa à primeira.
Pobres daqueles, que oscilam entre estas duas variantes, sem saberem muito bem como comunicam e para quem o fazem.
E há aqueles (piores, digo eu), quais “jornaleiros” disfarçados de jornalistas, que, vestem a pele de actores que é típica dos entretainer’s, para informar num registo desviante, mas objectivo na perspectiva do “voyeurismo”.
Um repórter de rádio, que cobre um determinado acontecimento, tem a árdua tarefa de retractar o que vê, sem recurso a imagem, usando com competência o jogo de palavras, no registo adequado. Chamo a isto Técnica de Expressão.
Os melhores repórteres fazem-no com mestria, os “jornaleiros” teimam em fazê-lo a actuar, a comover-se e a escolher registos que me fazem corar de tão ridículos.
Convenhamos:
Orson Welles, houve um na história da rádio.
Arriscou e ganhou, mas esse… era genial!
PS – Um jovem de 23 anos perdeu a vida de forma brutal. O resto interessa?
Um dos perigos que corremos frequentemente é meter tudo no mesmo saco, achar que a realidade é a preto e branco. No jornalismo, e em Braga em particular, também há uma escala de cinzentos que não podemos ignorar. Não há o “jornalista-tipo”. Quando muito há alguns perfis. Há jornalistas do quadro, há jornalistas a receber à peça (recebem em função dos trabalhos que vêem publicados, mesmo que tenham apresentado mais artigos), há jornalistas com avenças, há jornalistas a ganhar muito mal, mal e razoavelmente…