Para quem me anunciou com uma suposta postura politicamente correcta, talvez o que escrevo nesta crónica seja um choque. Para alguns, quase um crime lesa pátria.
Refiro-me à hopocrisia que consiste em impor quotas de música portuguesa nas rádio portuguesas. E atenção ao conceito “música portuguesa”, que pode muito bem ser cantada noutra língua qualquer, desde que produzida em Portugal. Isto para não falar da obrigatoriedade - segundo este mesmo decreto legal - de alguma dessa música portuguesa emitida, ter que ser produzida, obrigatoriamente, no último ano.
A mim parece claro que esta legislação protege, claramente, a poderosa indústria fonográfica.
Voltando às quotas, fazendo um paralelismo com outra realidade similar, mas igualmente ridícula. Fazem-me lembrar determinado partido que impõe, a si próprio, quotas de mulheres nas suas listas.
Quanto a mim, nada mais humilhante para as mulheres, do que constatar que uma sociedade machista precisa de quotas para as deixarem “viver”.
Ora, nada mais humilhante para Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso, Vitorino (só para citar alguns dos mais reinvindicativos), do que impor quotas às rádios para que elas passem a sua música.
Levantam-se algumas questões:
- Porque não passa mais música portuguesa na rádio? Serão os programadores (que querem audiências) mentecaptos e preconceituosos?
- Os portugueses gostam mesmo de música portuguesa?
- Não será, muita da música portuguesa, de má qualidade?
- As discotecas (que vendem música) têm quotas?
- E o serviço público?
O príncipio apregoado é hipócrita e pura retórica politica. Isso é que irrita as centenas de proprietários de rádios privadas (e muitas passam muita música portuguesa), que têm que gerir o “negócio”, como outro qualquer, obedecendo às regras do mercado para subsistir.
Imaginem lá se uma suposta “Associação Defensora dos Pasteis de Nata” conseguisse aprovar um decreto legal, que impusesse quotas de pasteis de nata, nas pastelarias de Lisboa.
Impossível, não é? O lobby não seria assim tão poderoso!