Monday, December 17, 2007

Homem com boa saúde morre aos 97 anos

Um motorista da Lousã, João Fernandes, que aos 97 anos teimava em conduzir diariamente, faleceu domingo de morte natural nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), disse hoje um familiar à agência Lusa.

João Alves Fernandes, que passou 75 anos da sua vida a conduzir viaturas, gozava ainda de boa saúde e circulava diariamente com a sua carrinha nas ruas da Lousã, sempre em marcha muito cuidadosa, atrevendo-se de vez em quando a carregar no acelerador nos troços mais conhecidos.

Um neto disse hoje à Lusa que, após diligências diversas junto das autoridades de saúde e da segurança rodoviária, o avô conseguiu manter a carta de condução por mais algum tempo, apesar da sua situação carecer de reavaliação.

“Ele continuou a conduzir a carrinha até ao seus últimos dias e apresentava bons resultados nos exames médicos que efectuava com regularidade”, adiantou a fonte.

No dia 29 de Setembro, entrevistado pela agência Lusa, João Fernandes disse esperar que lhe renovassem a carta, depois de ter passado no exame oftalmológico.

Oriundo do concelho de Oliveira de Azeméis, o motorista profissional radicou-se na Lousã na década de 1940, quando a emergente Companhia Eléctrica das Beiras (CEB), que em 1975 foi integrada na EDP, lhe dava muito trabalho a fazer.

João Fernandes, que na região todos conhecem por João da Gândara (lugar onde viveu quando chegou à Lousã), já não fazia longas viagens e muito menos nas auto-estradas.

“Sou um dos motoristas mais antigos do país. Gosto de conduzir e preciso do carro para fazer a minha vida por aqui”, regozijava-se João da Gândara à agência Lusa.

João da Gândara nasceu a 30 de Setembro de 1910, nas vésperas da implantação da República.

Começou por guiar ainda sem carta, na companhia de um velho cocheiro que detinha uma habilitação para conduzir carros puxados por cavalos.

Em 1932, após ter feito 21 anos, obteve a carta profissional para ligeiros e pesados.

O funeral realizou-se esta tarde no cemitério da Lousã.

Lusa

Importam-se de me explicar os critérios de noticiabilidade desta “estória” difundida pela Agência Lusa?

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 20:33:03 | Permalink | Comments (5)

Não Temos Pedal, Mas Temos Travões!

A minha cara colega e amiga, Luisa Teresa Ribeiro, postou por estes dias, uma reflexão que, como ela sabe, é uma das minhas grandes batalhas como jornalista mas, sobretudo, como apaixonado por estas coisas da comunicação. E antes que ela pense o contrário, esta introdução serve apenas para dizer que concordo com ela.

Efectivamente, o jornalismo de hoje vive de mails, de copy e paste e “de fundilhos sentados em cadeiras”. Aliás, uma das minhas grandes perplexidades passa, precisamente, por aqui. Que necessidade tem um leitor de ler repositórios de informação, tal e qual são enviados pelas agências de comunicação e pelos assessores de imprensa? Mais: um jornalista é um ser crítico por natureza e deveria, por isso, ter um olhar distanciado e independente para analisar as informações que lhe chegam e retirar o que é mais importante. E é no descernimento desta importância que está um dos poderes do jornalista. Eu como leitor não leio nada que não seja assinado.

Uma das “desculpas” que não aceito como jornalista é a questão do tempo. Não aceito. Compreendo que há muitas páginas para preencher (e falo disto mais adiante) e que nem sempre o tempo chega para escrever tudo o que está explanado na agenda do dia. E que por isso, o outro trabalho, “aquele que requer investigação” ou “o que sai fora da agenda” fica sempre para segunda, terceira ou quarta prioridade. Mas não será que a “desculpa” do tempo não é uma capa conveniente para a justificação dos repositórios de notícias? Será que todos os dias, o fluxo informativo é de tal forma intenso que não é possível sair fora da agenda? Será que a organização interna das empresas é a melhor? Será que a inércia e o comodismo não estão a tomar conta dos jornalistas?

Outra das questões comummente usadas diz respeito ao número de páginas. Sabendo eu que isto é uma opção editorial das direcções dos jornais, parece-me que também aqui o jornalismo tem um caminho longo a percorrer. Com a proliferação da internet e consequentemente do alargamento das fontes de informação, será que é necessário um jornal regional diário ter 40 páginas? E para a direcção de um jornal é melhor a qualidade ou quantidade? Acredito que mais tarde ou mais cedo, os famosos “interesses económicos” que dominam todas as discussões são os primeiros a ressentir-se disso. E um exemplo é sem dúvida, a estratégia actual do Jornal de Notícias. Quero com isto dizer que o mercado pode demorar a reagir, mas quando reage é difícil pará-lo. Mas mais difícil se torna se a inércia e a falta de estratégia forem a pele e a epiderme das redacções e das direcções.

Acredito que o fenómeno dos blogues é uma resposta, que deveria merecer uma profunda reflexão, à inércia e às desculpas que os jornalistas vão dando para o status quo da coisa. Os blogues são um grande desafio para as redacções e são uma fonte informativa que não deve ser desprezada. Mesmo que grande parte da informação que circula nos blogues tenha origem nos jornais ditos tradicionais. As reflexões devem começar quando a carruagem ainda vai a uma baixa velocidade, depois torna-se impossível apanhá-la!

Posted by Pedro Antunes at 15:39:26 | Permalink | No Comments »

Que serviço público de televisão?

O serviço público de televisão esteve em debate no último Trio de Jornalistas. As principais ideias defendidas por Luísa Teresa Ribeiro e Pedro Antunes Pereira sobre esta matéria apontam para a necessidade de uma aposta na qualidade, sem cair no elitismo ou perder o contacto com a realidade das pessoas. Na informação, exige-se melhor cobertura das regiões e produção própria, em vez de trabalhos decalcados de outros órgãos de comunicação social. Ficam aqui aqui alguns dos argumentos.

Sou a favor do serviço público de televisão, mas não a qualquer preço e de qualquer maneira. Temos de pensar quanto é que custa, pois não podemos estar a fazer um serviço público em que o buraco financeiro vai aumentando infinitamente.

Também não podemos estar, sob a capa do serviço público, a fazer programas de má qualidade, que, se olharmos bem, têm muito pouco de serviço público.

Com a discussão do contrato público de concessão e com a televisão digital terrestre, esta será uma oportunidade de repensarmos o que está a ser feito.

Na RTP, creio que tem sido feito um esforço para melhorar o que é “servido” aos telespectadores, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Luísa Teresa Ribeiro

Em relação ao serviço público, tenho o meu coração divido em duas partes. Acredito, por um lado, que tem que haver algum serviço público que dê prejuízo. Eu acredito que haverá dívida no serviço público. Mas, por outro lado, também acredito que o serviço publico não pode ser uma coisa muito distante da realidade das pessoas.

Os mais recentes exemplos de serviço público, que são o programa sobre a guerra, de Joaquim Furtado, e o retrato social de Portugal, de António Barreto, têm de coabitar com um programa que eu gosto muito, e que acho que também é serviço público, que é o Preço Certo em Euros.
Pedro Antunes Pereira

O que normalmente acontece é que ou se opta pelo elitismo e se perde o contacto com as pessoas – e aí estamos a fazer serviço público para ninguém – ou se opta por coisas muito mal feitas. Entre o elitismo e o muito mau.
Luísa Teresa Ribeiro

Eu não acho que o Preço Certo em Euros seja um programa mal feito. Numa televisão pública, aquilo faz sentido. Já não faz sentido, numa televisão pública, a Família Super Star. Concordo é que, se calhar, o grande problema do serviço público é que há demasiados preços certos euros.

O que eu sinto, e para mim não faz sentido, é que 90 por cento das notícias feitas pela televisão pública ou pelo serviço público são noticias que saem de outros órgão de comunicação social. Um serviço publico tem ser o leme, farol, da informação.
Pedro Antunes Pereira

A RTP tinha um conjunto de correspondentes, de estúdio regionais e de possibilidades que não está a ser de todo aproveitado.

Relega-se a informação regional para um programa em horas pouco próprias para ser visto e nos grandes espaços de informação não se reflecte esse trabalho do todo nacional. Quando vemos da RTP, ainda continuamos a ver a informação centrada em Lisboa e no Porto, e o resto é ainda paisagem.

Ou então vão os sítios quando todos os outros vão: quando há mortos, quando vai algum governante ou alguma personalidade importante…. Curiosamente, também nunca pegam pela questão principal pelo qual a personalidade foi à “província”. Encontram sempre uma pergunta de âmbito nacional ou internacional para que a cidade ou a região nem sequer sejam notícia.

Também na informação há um longo caminho a percorrer, mesmo na cobertura que é feita do país.

Por estes dias, toda a gente tem má imagem da informação… No caso particular da RTP, o episódio José Rodrigues dos Santos não ajudou.
Luísa Teresa Ribeiro

A agência de comunicação governamental tratou de localizar temporalmente a pressão há três anos. Fez o papel dela, mas sinceramente não acredito que três anos depois não haja pressões informativas na RTP, porque há.
Pedro Antunes Pereira

Creio que Santos Silva, que quando lhe perguntaram sobre se os assessores falavam com os jornalistas e se telefonavam para as redacções, disse que é para isso que eles são pagos e se não telefonm alguma coisa está mal. É legítimo de quem faz a pressão. Agora se o jornalista ou se a direcção determinado órgão de comunicação cede ou não às pressões, isso é outra história….
Luísa Teresa Ribeiro

Posted by Trio... de Quatro... at 02:11:56 | Permalink | No Comments »