Tuesday, December 18, 2007

Vamos lá recapitular o básico!

Há um livro básico para quem começa a estudar estas coisas do jornalismo que se chama “A Notícia”, de Mar Fontcuberta (1999). A autora, numa publicação de poucas páginas, de leitura muito fácil, diz algumas coisas que todos os jornalistas e meios de comunicação social deveriam ter sempre em conta.

«O grande volume de notícias obriga o jornalismo a três opções permanentes: incluir, excluir e hierarquizar a informação. Através delas, condiciona os seus conteúdos, que correspondem não só aos interesses do público como aos de cada meio e aos dos diversos sectores da sociedade».

O que na prática vemos muitas vezes é que o único critério para incluir ou excluir determinada notícia é o facto de chegar ou não à redacção. Se chegar por e-mail tanto melhor, uma vez que é mais fácil de “tratar”, por isso é provável que passe à frente dos “ultrapassados” faxes. Quanto à valorização, provavelmente, dependerá se o texto chegou à redacção acompanhado ou não por fotografia….

Da mesma maneira, a forma como a informação vai ser estruturada na notícia está em larga medida dependente da formatação de quem a enviou. Casos há em que o jornalista tem apenas de dar um pequeno arranjo no título, mudar umas vírgulas ou nem isso…

«O conteúdo de cada meio compõe-se de notícias que partilha com os outros e de notícias próprias. A construção de um agenda ilustra a valorização que cada meio atribui a tudo o que acontece na vida real e a forma de transmitir essa ordem de importância para que o público a faça sua».

É inegável que os meios de comunicação se inserem numa comunidade e não podem demonizar os comunicados, as conferências de imprensa ou sessões solenes. Os “media” não podem viver de costas voltadas para as agendas das pessoas e das instituições, sob pena de viverem no mais completo autismo.

Se um jornal, uma rádio, uma televisão ou um meio online não for a estas iniciativas a interpretação que se faz é que ele “perdeu” para a concorrência. Muitas vezes é destas iniciativas de rotina que saem notícias interessantes ou mais do que isso. Tudo depende de estar lá um jornalista ou uma espécie bem mais comum que é o “pé de mirofone”….

O que eu quero destacar é que nada me move contra os comunicados, as conferências de imprensa, as sessões, os congressos, os almoços e jantares, as festas, os telefonemas, os e-mails e tudo mais que se possa imaginar. Tudo isto é necessário para que tenhamos informação e para que a agenda dos meios de comunicação não seja a agenda de duas ou três cabeças supostamente bem pensantes.

O que, como jornalista e sobretudo como cidadã, me deixa pensativa é o facto de, como já referi aqui, muita da informação que é apresentada sair, por assim dizer, directamente do “produtor” – seja uma agência de comunicação, um político ou outra fonte qualquer – para o “consumidor”, sem que praticamente tenha havido a intervenção da redacção.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 13:22:06 | Permalink | No Comments »