Wednesday, December 26, 2007

De quem é sempre a culpa?

“Porto reduziu crimes participados”

É um discurso político em afinação progressiva, o que o Rui Pereira, actual ministro da Administração Interna, vem concretizando nas últimas semanas. Numa entrevista ao jornal oficial do PS, a primeira após a operação ‘Noite Branca’, o governante tenta tranquilizar a opinião pública face à sensação de insegurança que perpassou pelos noticiários, e garantir que até mesmo no Porto o que se viu foi, essencialmente, uma mediatização de casos particulares - e não um real problema de criminalidade.

“Pese embora a mediatização de que têm sido alvo os recentes incidentes no Porto, também neste distrito se verificaram tendências semelhantes [às de diminuição do resto do país]. Aliás, dos distritos que têm mais participações, o Porto foi um dos que registaram diminuições mais acentuadas no número total de ocorrências registadas entre 2006 e 2007″, afirma ao “Acção Socialista”.

O espaço neste jornal oficial do PS tem sido usado, ao longo do último ano, sempre que a imagem pública de um governante é colocada em causa - seja por uma polémica específica, ou por um desgaste das reformas em curso. Foi assim com Correia de Campos, por exemplo, que há três meses assegurava que o Serviço Nacional de Saúde é “um dos melhores do mundo”.

Na mesma linha, em duas páginas centrais no jornal, Rui Pereira não se escusa a responder, ponto por ponto, às muitas críticas de que tem sido alvo, essencialmente por parte dos partidos da Direita parlamentar.

(…)
25 de Dezembro
David Dinis, Jornal de Notícias

Noites/Crime: Rui Pereira esclarece “gralha” na entrevista ao jornal “Acção Socialista”

O ministro da Administração Interna garante que a entrevista que concedeu ao “Acção Socialista” tem “uma gralha que pode prejudicar a compreensão do seu pensamento”.

Numa nota enviada à Lusa, o gabinete de imprensa de Rui Pereira garante que o ministro “disse que a criminalidade da noite do Porto não é um problema ‘geral’, extensível a todo o país, e não que não é um problema ‘real’, visto que o considerou sempre um problema que requer investigação criminal, responsabilização dos culpados pelos crimes graves e desmantelamento de eventuais organizações criminosas”.

“Essa afirmação do MAI é depois desenvolvida com a explicação de que se trata de ‘casos particulares’, não generalizáveis à escala nacional, embora possivelmente relacionados entre si”, lê-se na mesma nota.

26 de Dezembro de 2007, 00:49
Lusa

Noite/Crimes: Passagem de ano vai “dizer” se a cidade já afastou o sentimento de insegurança - industriais da animação

Os industriais da animação nocturna da Zona Histórica do Porto, elegeram hoje a passagem de ano como o momento-chave para perceberem se a cidade afastou o sentimento de insegurança gerado com a recente sucessão de homicídios.

“Vai ser o grande teste”, admitiu à agência Lusa o presidente da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP), António Fonseca.

(…)

O reforço do policiamento de proximidade contribuiu para diluir o sentimento de insegurança, mas as detenções dos alegados homicidas não, afirma António Fonseca.

(…)

Num comunicado emitido hoje, a ABZHP classifica 2007 como um ano “negro” no âmbito da segurança, marcado por “instabilidade sem precedentes na sociedade civil do Grande Porto”.

(…)

26 de Dezembro de 2007, 16:43
Lusa

A culpa do sentimento de insegurança é, obviamente, dos jornalistas! Porque mediatizaram «casos particulares» e porque depois, ainda por cima, deram uma «gralha». A culpa da «dimensão subjectiva» da falta de segurança é deles. É evidente que a recente sucessão de homicídios no Porto nada tem a ver com isso…

[Via 31 da Armada]

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 20:48:47
Comments

Leave a Reply