Embora com cada vez menos paciência para a maior parte das imbecilidades que as televisões nos servem, tal como já referi aqui, tenho aproveitado esta época natalícia para, de vez em quando, espreitar o que por lá se passa.
De comando na mão, parei para ver um programa supostamente de cultura geral. O apresentador tinha à sua frente uma concorrente que nasceu na África do Sul, logo, segundo disse, bilingue. A concorrente disse que sim, que veio da África do Sul para Portugal com dois anos. Bilingue, portanto…
Depois, a concorrente estudou na UTAD. O apresentador associou logo à tradição típica dessa universidade, que é o Enterro da Gata. A senhora lá emendou que não, que isso é em Braga (Universidade do Minho).
Segue-se a introdução de uma “estorieta” em que a concorrente conduziu um táxi porque o taxista estava ou alcoolizado ou tinha fumado um charro. A volta que o apresentador deu para falar no charro foi tal que acabei por não perceber se esse foi o verdadeiro motivo pelo qual a concorrente teve de conduzir o táxi para chegar a casa em segurança.
Ainda vi a senhora a errar a resposta e desisti. Se calhar é falta de hábito e toda a gente percebeu tudo e até achou muito natural e divertido. É, provavelmente deve ser culpa minha… Mas, mesmo assim, lamento, desliguei. Não consegui aguentar tanta qualidade no serviço público…
Na altura, só me lembrava da indignação de uma grande amiga minha quando, há uns tempos, viu uma apresentadora a falar “DO” Joy Division, como se o grupo e Ian Curtis fossem exactamente a mesma coisa.
A dúvida da minha amiga, que partilho inteiramente, era: “Essa gente não se prepara antes de ir para ali fazer figuras tristes?”.