
Votos de um verdadeiro Natal e que 2008 seja um ano cheio de boas notícias!

João Canavilhas defende que «há uma revolução por fazer nos sites de notícias portugueses»
O professor da Universidade da Beira Interior João Canavilhas constata que a maior parte dos sites dos jornais portugueses limita-se a reproduzir os textos e as fotografias. Por isso, o docente defende que ainda «há uma revolução por fazer nos sites de notícias portugueses», que passa por uma nova linguagem, que inclui vídeos, links que encaminhem o internauta para mais detalhes e cronologias, por exemplo.
O autor da tese “Webnotícia proposta de um modelo de jornalismo para www”, recentemente apresentada na Universidade de Salamanca, entende que se deve aplicar a “pirâmide deitada” no online.
Divergindo do modelo tradicional da “pirâmide invertida”, baseado na exposição do mais importante à cabeça da notícia, João Canavilhas propõe agora a “pirâmide deitada” para o webjornalismo.
Com o novo modelo, defende, a notícia deve partir do mais simples para a sucessivo acrescento de informação, fornecido com cronologias, vídeo, infografias, entre outros, como refere em declarações ao Jornal de Notícias.
Em seu entender, em Portugal, à excepção do Público e do Expresso, que já dão os primeiros passos na introdução da “nova linguagem”, ainda não há sites que façam essa oferta. Como exemplo de referência, João Canavilhas apresenta o site espanhol do El Mundo e o norte-americano do New York Times.
O artigo de João Canavilhas “Webjornalismo: Da pirâmide invertida à pirâmide deitada” está disponível aqui. Outros trabalhos do mesmo investigador podem ser encontrados aqui.
A questão das pirâmides não é uma matéria pacífica. O assunto já deu e derá certamente muito que falar. Uma discussão interessante aconteceu, em 2004, no Congreso de Xornalismo Dixital, em Santiago de Compostela, com a constituição do Partido Pró-Pirâmide Invertida e do Partido de la Redacción Ciberperiodística. Um debate a ler aqui e aqui, no Intermezzo.
O estado da arte é traçado por Fernando Zamith, do Jornalismo Porto Net, no artigo “Pirâmide Invertida na Cibernotícia: a Resistência de uma Técnica Centenária”, disponível aqui.
O alerta está a ser lançado há dez anos pela organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF), mas o panorama mantém-se: há crises humanitárias que são sistematicamente negligenciadas pelos meios de comunicação social.
Os MSF acabam de publicar a décima lista anual das dez crises humanitárias ignoradas pelos “media”. Neste documento, citado pela agência Lusa, a associação constata que os meios de comunicação social dos EUA ignoraram, em 2007, a violência, o drama dos refugiados e as doenças na República Centro-Africana, Somália e Sri Lanka.
Os conflitos na Birmânia, Zimbabué, República Democrática do Congo, Colômbia e na Chechénia e as vítimas da tuberculose e da má nutrição infantil também foram esquecidos pelos “media” norte-americanos.
Em contrapartida, os grandes títulos da imprensa dos EUA deram eco, este ano, à vida das celebridades, às presidenciais de 2008 e à guerra no Iraque.
Os MSF iniciaram a publicação desta lista em 1998, quando a fome devastou o sul do Sudão, mas esse drama não recebeu qualquer cobertura por parte dos “media” americanos.
O documento visa alertar «a opinião pública para a magnitude e a gravidade dessas crises, que nem sempre se refletem na cobertura mediática». «Frequentemente, a atenção da imprensa é crucial para gerar e melhorar as respostas a essas crises», dizem os responsáveis por esta organização.
Vale a pena ler aqui (Português do Brasil) ou aqui (Inglês) mais informação sobre esta matéria, incluindo dados sobre os relatórios anteriores. E ver aqui as fotos. Para, nas vésperas de um novo ano, reflectir…
Pacheco Pereira, na Sábado
Emissão especial de Natal na RTP… Domingo á tarde…O Governo português anunciou terça-feira que não vai esperar pelo parecer do Sindicato de Jornalistas para avançar com a proposta de lei sobre concentração dos media, estando a preparar-se para a apresentar em conselho de ministros.
Augusto Santos Silva referiu, segundo a Agência Lusa, que o executivo já tem os pareceres da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social.
Contactado pela Lusa, o presidente do Sindicato de Jornalistas admitiu não ter ainda elaborado um parecer sobre o novo anteprojecto do Governo, mas assegurou que “haverá notícias sobre isso em breve”.
A primeira versão do anteprojecto foi apresentada no início de Outubro de 2006 e esteve em consulta pública ao fim de Novembro.
EUA
O Governo norte-americano decidiu terça-feira flexibilizar as regras que limitam a concentração entre jornais, cadeias de televisão e rádios nos Estados Unidos, apesar da viva oposição de uma parte do Senado e de associações de consumidores.
De acordo com a Agência Lusa, a Comissão Federal das Comunicações, numa votação muito dividida, decidiu permitir aos grupos de comunicação possuírem simultaneamente órgãos de informação escritos e audiovisuais, o que pode reforçar a concentração do sector.
A nova regulamentação permitirá a uma mesma empresa possuir um jornal e uma televisão (ou uma rádio) nos principais aglomerados do país. Todavia, para isso, será preciso que a cidade possua pelo menos oito media locais. Fora destas grandes cidades, as transacções terão de obter uma derrogação, indica a Comissão em comunicado. A actual regulamentação não permite teoricamente a um mesmo grupo estar presente na escrita e no audiovisual.
É desta que vou reler toda a bibliografia relativa aos critérios de noticiabilidade. Devo ter percebido mal qualquer coisa!