No Futebol não se pensa só com os pés!
Alguém me dizia há uns tempos que os futebolistas podem ser ricos, andar bem acompanhados, bem vestidos, terem os mais “espalhafatosos” automóveis e frequentar os lugares mais “in”, mas, quase todos pensam com… os pés!Não tenho dúvidas que, alguns dos “exemplares” da praça são dignos das cadernetas de cromos, desde que as modernas tenham o som opcional. Atropelam a língua portuguesa, incham como perus e andam de braços entreabertos perante as câmaras, dizem parvoíces e sempre que articulam duas ideias seguidas no discurso, começam a ver-se alguma fumaça e rugas de expressão na testa. Mas, há um… “mas”.
E nem falo só dos ex-futebolistas que se tornam treinadores ou directores desportivos, que decoram discursos de circunstância para parecerem cultos e eruditos. Também os há que são verdadeiros achados e que valem a pena serem ouvidos/lidos. Vou citar apenas um, que está longe de ser caso único, mas é porventura o mais impressionante: Jorge Valdano.
Valdano é um argentino que fez furor nos anos 80, no Real Madrid e na Selecção Argentina, tendo marcado 97 golos ao longo da sua carreira, que terminou aos 31 anos.
Jorge Valdano era, dentro das quatro linhas, um avançado elegante, inteligente, esguio e oportuno. Fora do terreno de jogo, diz quem privou com ele, era um filósofo. Depois de “arrumar as chuteiras”, foi treinador e Director Desportivo do seu Real Madrid.
Mas é como comentador, analista ou “opinion-maker” (como gostam de lhe chamar) que dá a pedrada no charco, quebrando o estigma dos (ex)futebolistas que pensam com os pés. Ler o que Valdano escreve, no jornal “a Bola“, ao Sábado, sobre o fenómeno Futebol (para aqueles que o apreciam) é um fantástico exercício de leitura do jogo. Com uma escrita atractiva, mas simples, traça teorias – como ninguém o faz -que penetram nas particularidades do denominado desporto-rei.
Se é das páginas mais lidas, disso eu duvido, mas que tem qualidade, lá isso, tem.
É dele a célebre “divisão ideológica” entre futebol de “esquerda” e de “direita”, teoria longe de ser consensual, mas que gerou uma interessante reflexão.
Vale a pena!
(palavra de um ex-maluquinho da bola)
PS. Também há quem diga que grassam por aí jornalistas desportivos, que escrevem com os pés. Será?