Wednesday, January 2, 2008

Os bons, os maus e os incompetentes

As relações nem sempre muito claras entre jornalismo e assessoria de imprensa são um clássico nestas andanças da comunicação. Toda a gente do meio conhece algumas estórias do arco da velha, mas nem mesmo assim as “novidades” deixam de ser surpreendentes. Pedro Peixoto Costa contou aqui que as mensagens de uma agência de comunicação, a que deu o nome fictício de “Express Com”, vêm assinadas pelo jornalista “António Silva”, levantando a questão sobre esta incompatibilidade básica.

Já lá vai o tempo em que os jornalistas eram vistos como as virgens e os assessores como as galdérias. Estas são profissões igualmente dignas, mas que devem ter objectivos diferentes: os jornalistas trabalhar em função do interesse público e os assessores defender a instituição a que pertencem, seja qual for o meio em que estiver a ser “atacada”, desde os jornais tradicionais à Internet.

Dentro da legalidade, ambos devem usar todos os recursos que estiverem ao seu alcance para desempenharem o melhor possível a respectiva actividade. Por isso, os jornalistas não devem ficar surpreendidos que os assessores usem desde as estratégias mais básicas, como perguntar se acha que o assunto tem relevância para ser tratado, até às mais elaboradas, como libertar informação a horas a que já é difícil obter reacções. Da mesma maneira, também os assessores não se devem espantar que os jornalistas não se contentem com a versão oficial. Só que, como em todas as outras actividades, também nestas há sempre os bons, os maus e os incompetentes.

Nada é mais desesperante para um jornalista do que os gabinetes de comunicação onde há uma daquelas “barbies” de salto agulha e cara com centímetros de base ou um daqueles “martini man” com fatos e relógios “hiper-fashion”, mas que nunca sabem de nada porque o seu papel é meramente decorativo. Nada mais desesperante para um assessor do que um jornalista que não sabe o que perguntar, não percebe o que lhe dizem, troca tudo e depois não admite estar equivocado. Para os “verdadeiros” jornalistas e assessores, nada mais irritante do que criaturas que nem são carne nem peixe e que só dão má fama a estas duas actividades: os “jornassessores”, como lhe chama Pedro Peixoto Costa.

(Publicado no Diário do Minho, 22/12/2007, pag. 2)

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 04:55:13 | Permalink | No Comments »