(Mais) Uma tragédia
«O modo como as televisões têm tratado a anulação de uma corrida de automóveis, camiões e motas tem sido confrangedor. É lastimável que o cancelamento de um mero – e, aliás, bastante controverso – passatempo de gente capaz de dispor de avultados recursos monetários tenha sido colocado ao nível de uma tragédia nacional e internacional.»
Eduardo Jorge Madureira Lopes, no Diário do Minho de 6/1/2008, página 16
Tal como é confrangedora a forma como as televisões têm tratado muitos outros assuntos…
Neste caso, julgo que muitos meios de comunicação social estarão a fazer contas à vida por causa do investimento que fizeram para a cobertura da edição de 2008 do Lisboa-Dakar. Por exemplo, a RTP, a televisão oficial da prova, tinha planeado, «a par do acompanhamento informativo diário, a criação de um canal exclusivo para telemóveis dedicado ao rali. O novo canal da RTP Mobile seria criado pela estação de televisão pública em parceria com a TMN, a operadora de comunicações móveis do grupo Portugal Telecom (PT)». Talvez por isso, a RTP ficou «desolada».
Q
uando se fala neste rali, é inevitável pensar na questão mediática. Nas primeiras reacções à anulação da competição, a lista de prejuízos incluía logo as consequências da inexistência da esperada cobertura pelos meios de comunicação social. E as expectativas dos dividendos que seriam conseguidos através da transmissão do evento eram elevadas, quer para «promoção» e «presença de Portugal em todo o mundo», para o turismo do Algarve ou para quem apostou em avultados patrocínios. O prejuízos provocados pelo cancelamento do Lisboa-Dakar começam a ser avaliados amanhã, com câmaras municipais, como a de Portimão ou a de Benavente, a reclamarem indemnizações.Ainda sobre os “media” e o rali, o Vítor Ferreira dá um contributo muito interessante, ao notar que o tratamento jornalístico da anulação da prova «revela o atraso dos jornais generalistas online portugueses em relação aos espanhóis». A ler no Prometeu.