O Plágio
Os fins-de-semana são, para mim e de quinze em quinze dias, sagrados. Distraio-me com frequência daquilo que me rodeia, não vejo televisão (na esmagadora maioria das vezes) e só quando volto, ao domingo à noite, a tomar contacto com a realidade é que me vou apercebendo do que aconteceu à minha volta. O Pedro Morgado fez o favor de me enviar um Lino do seu blogue onde “denuncia” um plágio cometido pelo jornal Diário do Minho. Só ontem ao final da noite tive oportunidade de ver o que escreveu e os “juízos de valor” (eu sei que se calhar isto é forte) proferiu sobre a questão.
Ora como o Trio de Rachar nasceu, precisamente, para tornar o jornalismo mais transparente, sobretudo o jornalismo regional, não podia deixar passar em claro esta situação. Não falei, ainda, com a Luísa Teresa Ribeiro sobre o assunto. Fico mais livre e menos pressionado para falar dele. Convém esclarecer, ainda, que por questões orgânicas decidimos dentro do “trio” atribuir tarefas. A mim cabe-me olhar com especial atenção para o Diário do Minho. Este será, sem dúvida um tema que estará em análise no programa de quarta-feira. O plágio (e repare-se que eu não escrevi nem “pretenso” nem “alegado”) de um post colocado no Avenida Central pelo Diário do Minho “com gralhas incluídas” é de facto grave. E é errado. Ponto final.Segundo o Avenida Central, “o jornal corrigiu o erro”, numa das edições seguintes. Foi pior a emenda do que o soneto. Um erro assume-se, humildemente e com naturalidade. O que o DM fez foi “um esclarecimento” seco dando conta do link (????) que serviu para a notícia! Não há pedido de desculpas “aos visados”, não há o assumir de um erro, não há referência à fonte (sim, blogue Avenida Central de Pedro Morgado); há um esclarecimento perdido no meio de outras coisas. Isto é grave seja no DM seja em outro jornal qualquer em qualquer parte do mundo. O jornalismo vive cheio de complexos. Um deles é que
“raramente se engana ou tem dúvidas”. E quando se engana faz disso um bicho-de-sete-cabeças e faz asneira.O DM deveria ter assumido o erro, no dia imediatamente a seguir. Sem complexos. Não quero arranjar qualquer tipo de desculpa mas muita coisa fica explicada para quem anda nestes meios, sabendo que a notícia foi publicada na secção de desporto. A tal que precisa, urgentemente, de ser integrada nos jornais de referência. Fazendo parte de um todo e não sendo um corpo estranho. Mas essas são contas de outro rosário.
Mas deixei-me aprofundar mais esta questão do plágio: não haverá coisas tão ou mais graves? Há. E eu já por aqui escrevi sobre elas e volto, agora, à carga. Porque a reflexão, insisto, deve centrar-se no “a priori”. E a mim como jornalista preocupa-me muito o trabalho de “gabinete” dos meus colegas. Duas perguntas: não é plágio fazer um copy e paste de “notícias” emanadas de agências de comunicação e de gabinetes de imprensa, publicadas sobre a capa “redacção”? “Notícias” que não sofrem qualquer tipo de tratamento, nem de verificação, confiando o “jornalista” na fonte de onde elas provêem? Quanto destas notícias são, verdadeiramente, notícias?
Mais do que um bom ou mau exemplo, o plágio do DM (que para mim, aumenta a gravidade por, alegadamente, a notícia ser falsa) é um boa realidade daquilo que os jovens vão encontrar no futuro. Um mundo jornalístico minado de agências e gabinetes que difundem as suas perspectivas, e eles prestadores de serviços ganhos à peça, com a necessidade de produzirem em massa. Esta é realidade do futuro, na qual o plágio irá ter uma preponderância e uma gravidade maiores do que actualmente.
Cabe ao leitor separar o trigo do joio. E se o leitor quiser um conselho, faça como eu: leia notícias assinadas mas assinadas por jornalistas que lhe mereçam confiança e credibilidade. Já o disse e volto a afirmar: mais do que jornais os leitores deveriam ler “jornalistas”. E deveriam “pressionar” as equipas editoriais para que os copianços sejam banidos da profissão. O plágio é grave, muito grave, mas uma rápida passagem de olhos pelos jornais regionais mostra que esse é o “pão-nosso de cada dia”. Infelizmente.
