Balsemão
“É mais fácil fazer o Expresso em 2008 do que era em 1973? Não, porque não existe Censura. Sim, porque, além de uma maior concorrência, da própria Imprensa, e, principalmente, da Televisão e da Internet, o conservadorismo é mais díficil de suportar e vencer em democracia.”
“Num jornal, o espaço é sempre limitado. Há, portanto, matérias que entram e outras que não são aproveitadas e, entre as que entram, a hierarquização, a colunagem de títulos, a ilustração fotográfica ou infográfica permitem dar mais relevo a umas que a outras.”
“A escolha e atribuição de prioridade às notícias e opiniões que agitem o pântano, incomodem seriamente os conservadores do poder, apresentem pistas novas e soluções novas para os problemas que os mesmos conservadores não querem resolver, constituem provavelmente o maior desafio para o jornalismo de qualidade e independente do nosso tempo.“
“Felizmente, o Expresso não é poder. Nunca aceitei que os media fossem o quarto poder. Um jornal não deve nem pode substituir-se ao Estado, não tem que assumir-se como grande educador do povo. E muito menos estar ao serviço de um projecto de poder pessoal, político ou económico.“
“A qualidade e a independência de um jornal revelam-se pelo percorrer de um caminho próprio: dar informação e veicular opinião, de acordo com critérios deontológicos, e permitir que o leitor tire, por si próprio, as suas conclusões.”
Pelo menos o Correio da Manhã e o Diário de Notícias apresentam hoje, nas suas páginas na Internet, umas manchas laranja com a mensagem “Ninguém vive sem clicar”.
