O ministro responsável pela pasta da Comunicação Social anunciou ontem que o Governo reduziu em 35 por cento a despesa com o porte-pago durante o ano passado. Segundo Augusto Santos Silva, citado pela Lusa, em 2006 foram gastos 11,7 milhões, enquanto que em 2007 o valor deste incentivo ficou nos 7,6 milhões, tendo sido apoiadas 262 publicações regionais.
A questão do porte pago é o que se pode chamar um “clássico” quando se fala na imprensa regional. No I Congresso da Imprensa, António Malheiro, da Revista Indústria e Ambiente, dizia que o porte pago era um dos temas recorrentes em todos os encontros do sector: «Em todos os congressos a que tenho assistido é sempre a mesma história. É um congresso do PP – do porte pago» (Malheiro em Faustino (org.), 1999: 41). Uma década depois, o assunto continua a fazer correr muita tinta, como se pode ver, por exemplo, aqui.
Agora denomoniado “incentivo à leitura da imprensa regional”, este apoio tem sido aproveitado ao longo dos anos por um largo número de publicações. Ele integra-se num conjunto mais vasto de incentivos à comunicação social, que se traduz num investimento considerável feito às custas do erário público (ver aqui e aqui). Tem sido bem ou mal aproveitado?
A imprensa deverá apostar na profissionalização, tanto a nível dos departamentos comerciais, como das redacções. Só a qualidade permitirá que as publicações sobrevivam num cenário cada vez mais competitivo. As chamadas “folhas de couve” têm os dias contados num mundo em que a informação está à distância de um clique ou de um estender da mão para receber um jornal gratuito. Se as publicações se profissionalizarem, com departamentos comerciais capazes de gerarem receitas, fará sentido manter os apoios para que os jornais cheguem aos leitores? Merecem continuar a ser apoiados os que recebem apoios e continuam na mesma? E os que fazem batota descaradamente? Que apoios vão ser concedidos? A que projectos? Com que fiscalização?
Se se mantiver a tradição, será difícil procurar respostas para estas perguntas de uma forma serena. Esta questão é sempre motivo para dramatização. A quem é que serve essa estratégia?