Que Jornalismo temos/queremos na Rádio?
Quanto a isso, não temos dúvidas. Embora eu conheça estudos que o indicam de forma clara, as audiências, que fazem da RFM líder imperturbável, comprovam que os formatos musicais são da predilecção dos portugueses.Estações como Antena 1 (de serviço público), TSF ou Rádio Clube Português, que se dedicam a formatos informativos e/ou de palavra, têm individualmente, segundo o último Bareme Marktest, um terço (sim, cerca de 33%) , ou menos, da audiência da RFM.
A Rádio Renascença , outrora líder, hoje, uma espécie de híbrido entre a música e a palavra, já está abaixo dos dois terços do parceiro de grupo. Posto isto, serão compreensíveis, e não criticáveis, as linhas editoriais das rádios que seguem os formatos musicais, abordando um jornalismo “light”, ou como os pudicos gostam de chamar, de manutenção e agenda.
São projectos de audiências, com pouco investimento na informação, que, todos sabemos, inflaciona largamente os orçamentos das estações.
Por outro lado, existem projectos de influência, ou chamemos-lhes (outra vez os pudicos) de palavra e informação. Com linhas editoriais rigorosas e em constante análise, sendo projectos muito mais onerosos e menos lucrativos, no que a resultados financeiros diz respeito (coisa diferente da facturação).
Falamos de opções. Puras e legítimas opções, motivadas pelo que quer que seja, mas que não encontram constrangimento legal ou financeiro. Não esqueçamos que, em muitos casos, falamos de projectos paralelos de grupo, articulados em lógica de portefólio.
Fecho a reflexão falando de rádios locais, que vivem a obrigatoriedade de ter nas suas redacções (diga-se, nos seus quadros) jornalistas profissionais. E digo obrigatoriedade, porque estas a vêem como constrangimento, graças a um requisito legal que obriga à emissão de três noticiários locais por dia.
Curioso! Aqui já não estamos no campo da opção!
Não tivesse Cavaco Silva vetado a revisão do estatuto, onde se previa que o acesso à carreira de Jornalista Profissional, só era concedido a licenciados (independentemente do tipo de licenciatura – que coisa estranha!), e um destes dias, ainda íamos ver nos pequenos anúncios:
URGENTE – precisa-se Jornalista Profissional para estação de rádio em Freixo de Espada à Cinta. Entrada imediata. Próximo capítulo: “Denúncias: Tanto nos une e tão pouco nos divide!”