Um pretexto
Celebra-se hoje o dia do padroeiro dos jornalistas, São Francisco de Sales.
Este, como todos os “dias de”, vale o que vale. Tenho para mim, que valerá certamente mais se for um pretexto para reflectir sobre o jornalismo que temos e o jornalismo que queremos. Enfiar a cabeça na areia, como as avestruzes, não é seguramente o melhor caminho. Por muito que isso custe a muita gente…
Deixo algumas das reflexões que Luís Arezes faz hoje, na pag. 17 do Diário do Minho. Um artigo que vale a pena ler na íntegra.
«[...] Os media fazem líderes, constroem ídolos, fabricam mitos, arrebatam multidões, manipulam emoções, ampliam problemas. E assassinam – social e/ou politicamente – personalidades, arruínam projectos, ignoram conflitos, branqueiam situações. Sempre com a rapidez própria das conveniências, por natureza instáveis, e com a urgência dos interesses mais ou menos mesquinhos e obscuros.
[...]
É, aliás, um exercício curioso estar minimamente atento à maneira como determinados órgãos de comunicação constroem a notícia graúda. A sensação com que se fica, muitas vezes, é a de que os factos são feitos. E que o objectivo sub-reptício não é tanto informar, mas alcançar outros propósitos. Isto é, que os critérios subjacentes ao trabalho realizado não são jornalísticos.
Para os especialistas, o que está em jogo é o poder de agendamento que as redacções possuem. [...]
Este poder de condicionamento é de tal dimensão que todos os outros poderes anseiam o beneplácito das simpatias dos media. Porque eles ajudam a construir vitórias e os mesmos empurram para a derrota. E não está garantido que o façam sempre em nome do interesse público…
Corremos, assim, o risco de ficar nas mãos de alguns grupos. Porque, de acordo com as suas estratégias, são eles que constroem a realidade em que nos movemos. É o admirável mundo novo dos media! Mas este mundo só será, efectivamente, admirável se a Escola, a Igreja e outras Instituições assumirem, cada vez mais, a sua missão de educar os consumidores. Para que sejam capazes de ler e não de tresler. Para que tenhamos cidadãos com maturidade cívica e capacidade de discernimento. Para que tenhamos uma verdadeira opinião pública! [...]».
Carlos Daniel (jornalista da