A perspectiva geográfica de quem informa
No acto de comunicar, em momento algum devemos esquecer um elemento essencial: O público.
Um destes dias, no jornal da 13 horas, da SIC, o pivot usou a expressão: “…no próximo Sábado, o Vitória de Guimarães vem a Lisboa defrontar o Benfica…”.
As questões da formatação do modelo de comunicação são amplamente discutidas no interior de estações de televisão (e de rádio também) e são contempladas no tão falado “Livro de Estilo”.
Em minha opinião, a tipologia do órgão de comunicação condiciona o modelo de comunicação adoptado.
Se numa rádio da Madeira, o sotaque madeirense não me parece nada mal, já não faria sentido ouvi-lo num pivot de uma estação de cobertura nacional. Assim como nunca imaginei como soaria (mal) um alentejano apresentar um telejornal de TV. É uma questão de contexto.
Ao informar que o Vitória de Guimarães se deslocaria a Lisboa, penso que a SIC, como órgão de informação de cobertura nacional deveria assumir uma perspectiva neutra (vista de “helicóptero” se preferirmos), mesmo, sabendo nós, que a estação está sedeada em Carnaxide, Lisboa (algo que o espectador comum desconhece).
Se uma rádio local de Lisboa der esta mesma informação, já faz todo o sentido que use o “…o Vitória de Guimarães vem a Lisboa…”. Neste caso, a tipologia define uma perspectiva geográfica local de comunicação.
Tratou-se de um pequeno pormenor de comunicação, e nem acredito que se tenha verificado o que, normalmente, digo com ironia para espicaçar alguns amigos de Lisboa: “Vocês só vêem até à portagem de Alverca“!
Este pormenor motivou a reflexão desta problemática, que é muito mais complexa se falarmos da informação de trânsito que as TV’s e rádios nacionais nos dão de Lisboa e do Porto.
E que dizer daquela “coisa” que era o CNL, quando foi lançado como produto, puramente, da capital com cobertura nacional, devido aos constrangimentos legais?
Conclusão: Não conheço o Livro de Estilo da SIC, mas, é uma estação de televisão portuguesa. Sentindo-se “lisboeta” algo está errado.