É histórico!
Onde há um operador de rádio, há um vizinho amuado. Não quero com isto dizer que as rádios em Portugal vivem em “guerrilha”, mas é bem verdade, que na rádio - assim como acontece nos jornais, por exemplo - se confunde, muitas vezes, concorrência com rivalidade, ou mesmo adversário com
inimigo.
Já ouvi as histórias mais incríveis, provenientes destas rivalidades exacerbadas: Cabos com pregos, emissores roubados, corrente electrica cortada, etc… há de tudo um pouco, com muita criatividade, para este tipo de episódios de guerrilha.
É estúpido? Sim, é verdade. Mas parece muito português.
No entanto, uma das armas de arremesso mais utilizada é a “denúncia”. E a isto já chamo falta de inteligência.
Diz-me um amigo, com uns bons anos a mais que eu, que não há empresa em Portugal que consiga manter a sua operação sem uma infracção aqui e outra acolá.
O que me apetece perguntar é: será que existe rádio em Portugal que cumpra todos os pressupostos legais?
Cada vez mais, os preceitos legais que regulam a actividade de radiodifusão configuram uma malha restritiva a que eu chamaria de “colete de forças”.
Não tenho dúvidas. É muito dificil um operador de rádio cumprir a lei da rádio, os principios radioelectricos, as quotas de música portuguesa, pagar taxas diversas, obter licenças de vária ordem, zelar pela dispendiosa manutenção técnica, etc… tudo isto sustentado numa estrutura de recursos que - empresarial ou não - se quer equilibrada, que ainda tem obrigatoriedades e condicionamentos, também, ao nível dos recursos humanos utilizados na produção.
É obra!
Claro que é fácil olhar para o “vizinho”, descobrir-lhe um flanco frágil e fazer um pequena denúncia, pois até há organismos de regulação que actuam por denúncia anónima.
Também é previsivel que, aquele que é alvo de um fiscalização, olhe para o lado desconfiado e, como represália, faça o mesmo.
Todos perdem e as autoridades (algumas) agradecem.
Se os operadores ainda têm dificuldade em “aceitar-se”, muito mais dificil será dialogar sobre problemas comuns, dificuldades, recursos, regulamentação, mercado, e muitas outras questões que, sendo comuns a todos, representam constantes dores de cabeça para os responsáveis das rádios.
Não defendo uma “paz podre”, mas que devemos pensar nisto…
Próximo capítulo: “Rádio formatada ou programas de autor?”