Sunday, February 3, 2008

Ética vs Interesses

«Pessoalmente, penso que os jornalistas devem fazer as suas declarações de interesses e devemos conhecê-las para não desconfiarmos (enquanto cidadãos) do que escrevem. Talvez se acabasse com a ideia dos inconfessáveis interesses dos jornalistas, ou de um jornalista de cada vez. É exactamente a falta dessa declaração de interesses que tem mantido a ideia de que o jornalismo deve ser bacteriologicamente puro.»
Francisco José Viegas no A Origem das Espécies

«Por mim, limitei-me a não ceder a esse tipo de pressão e a continuar a desempenhar as minhas funções, no respeito da deontologia e da ética da minha profissão.»
José António Cerejo em declarações ao Correio da Manhã

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 20:01:11 | Permalink | No Comments »

Desmentidos, mas pouco

«Como era bom de ver, quase nenhum órgão de comunicação social corrigiu a indecente acusação sobre a morte da criança em Anadia.
Aliás, é fácil ver que a esmagadora maioria das acusações infundadas feitas pelos media nunca são corrigidas nos mesmos. Mesmo quando há desmentidos formais dos acusados eles são normalmente publicados numa página esconsa do interior ou no meio de um noticiário, ainda que a acusação tenha sido feita em manchete ou na abertura de um noticiário, não havendo portanto a mínima correspondência quanto à sua visibilidade. Por isso, grande parte das pessoas que tomam conhecimento das acusações nos média nunca chegam a saber sequer que elas foram desmentidas ou eram infundadas.»

Vital Moreira no Causa Nossa, na sequência deste alerta

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 20:00:00 | Permalink | No Comments »

Denúncias: Tanto nos une e tão pouco nos divide!

É histórico!

Onde há um operador de rádio, há um vizinho amuado. Não quero com isto dizer que as rádios em Portugal vivem em “guerrilha”, mas é bem verdade, que na rádio - assim como acontece nos jornais, por exemplo - se confunde, muitas vezes, concorrência com rivalidade, ou mesmo adversário com inimigo.

Já ouvi as histórias mais incríveis, provenientes destas rivalidades exacerbadas: Cabos com pregos, emissores roubados, corrente electrica cortada, etc… há de tudo um pouco, com muita criatividade, para este tipo de episódios de guerrilha.
É estúpido? Sim, é verdade. Mas parece muito português.

No entanto, uma das armas de arremesso mais utilizada é a “denúncia”. E a isto já chamo falta de inteligência.
Diz-me um amigo, com uns bons anos a mais que eu, que não há empresa em Portugal que consiga manter a sua operação sem uma infracção aqui e outra acolá.
O que me apetece perguntar é: será que existe rádio em Portugal que cumpra todos os pressupostos legais?

Cada vez mais, os preceitos legais que regulam a actividade de radiodifusão configuram uma malha restritiva a que eu chamaria de “colete de forças”.
Não tenho dúvidas. É muito dificil um operador de rádio cumprir a lei da rádio, os principios radioelectricos, as quotas de música portuguesa, pagar taxas diversas, obter licenças de vária ordem, zelar pela dispendiosa manutenção técnica, etc… tudo isto sustentado numa estrutura de recursos que - empresarial ou não - se quer equilibrada, que ainda tem obrigatoriedades e condicionamentos, também, ao nível dos recursos humanos utilizados na produção.
É obra!

Claro que é fácil olhar para o “vizinho”, descobrir-lhe um flanco frágil e fazer um pequena denúncia, pois até há organismos de regulação que actuam por denúncia anónima. 
Também é previsivel que, aquele que é alvo de um fiscalização, olhe para o lado desconfiado e, como represália, faça o mesmo. 
Todos perdem e as autoridades (algumas) agradecem.

Se os operadores ainda têm dificuldade em “aceitar-se”, muito mais dificil será dialogar sobre problemas comuns, dificuldades, recursos, regulamentação, mercado, e muitas outras questões que, sendo comuns a todos, representam constantes dores de cabeça para os responsáveis das rádios.

Não defendo uma “paz podre”, mas que devemos pensar nisto…

Próximo capítulo: “Rádio formatada ou programas de autor?”

Posted by Pedro Costa at 00:10:06 | Permalink | No Comments »