Sunday, February 17, 2008

Habituem-se

O Provedor do Leitor do Público debruça-se sobre a investigação levada a cabo pelo jornal acerca de José Sócrates. Joaquim Vieira apresenta aqui as acusações de António Costa ao Público e os esclarecimentos de José Manuel Fernandes e José António Cerejo.

«Este tipo de escrutínio dos titulares dos poderes públicos, que pode contribuir para escolhas mais informadas e conscientes dos eleitores sobre quem os deve governar, é tradicionalmente destacado como um dos apanágios mais nobres do jornalismo, pelo que releva mais da imprensa de referência, imbuída de forte componente de serviço público, do que da tablóide».

«Não publicar uma investigação porque a anterior visava a mesma entidade, ser “politicamente correcto” ao ponto de meter notícias na gaveta porque é a vez de pôr outros em causa, significa perder a independência. O jornalismo não se substitui à justiça, mas deve ser tão cego quanto ela. Saber conviver com isso é, para os detentores de cargos públicos, uma prova de maturidade democrática.»

Joaquim Vieira

«Tenho escrito muito mais sobre pessoas do PS do que, provavelmente, sobre pessoas de outros partidos. E então? Será que o dr. Costa quer aplicar aos jornalistas uma espécie de quota relativa aos assuntos de que podem tratar? X PS, Y PSD e por aí fora? Sucede ainda, que, desde 1990, data da criação do PÚBLICO, o PS tem muito mais anos de maioria na Câmara de Lisboa, sobre a qual incide uma grande parte do trabalho que tenho produzido neste domínio, do que qualquer outro partido. E o mesmo sucede com as maiorias governamentais do PS no mesmo período. Acresce que a minha dedicação a este género de trabalho, por razões que não vêm ao caso, se intensificou a partir de 1995, restando 12 anos em que as maiorias PS são, provavelmente, ainda mais notórias. E é sobre quem tem o poder, como é sabido, que estes trabalhos incidem mais frequente e justificadamente.»

José António Cerejo

«Não há nenhuma campanha ad hominem. Há investigações sobre factos que chegaram ao conhecimento do jornal»

«Os políticos, todos eles, têm de se habituar à crítica e ao escrutínio público. Mesmo a críticas eventualmente injustas e erradas. Responder-lhes com declarações de guerra é, a meu ver, intolerável por visar coagir os jornalistas e isolar as vozes críticas.»

José Manuel Fernandes

Miguel Sousa Tavares também escreve sobre esta matéria no Expresso, num texto que pode ser encontrado aqui.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 16:45:07 | Permalink | No Comments »

Quem paga?

«A pequena história, não escrita, do jornalismo (não só em Portugal…) inclui uma prática de supostas “viagens em serviço”, que mais não eram do que formas acessórias de compensação para uma actividade mal remunerada. Em países menos desenvolvidos e periféricos, em que o turismo era privilégio de minorias, percebe-se que o “negócio” (lazer disfarçado em “viagem de serviço”, em troca de uma “notícia simpática”) fosse prática corrente.

Ora, Portugal tem hoje grupos de media com músculo financeiro suficiente para se permitirem estabelecer, nesta área, regras que contribuam para a credibilização do serviço que é disponibilizado ao público consumidor de informação. Isto sem se cair na ingenuidade de se pensar que deixaram de existir viagens profissionais com contornos equívocos…»

Mário Bettencourt Resendes
Provedor do Leitor do Diário de Notícias
Em “As boas práticas nas viagens profissionais

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 02:13:53 | Permalink | No Comments »