Thursday, February 21, 2008

Tendências

«Num momento de alguma turbulência, é fácil perceber tendências que antecipam um futuro para o jornalismo num enquadramento de maior e mais rigoroso profissionalismo e tendências que antecipam o seu completo desaparecimento, por troca com uma rede de espaços colaborativos abertos à participação de (quase) todos.
Mas será que só é possível conceber soluções alternativas?
Será que o jornalismo está mesmo condenado?
Porque é assim tão inevitável o seu desaparecimento (e os ‘velórios sem defunto’ sucedem-se)?
E como enquadrar uma discussão sobre a ‘pureza’ relativa das intervenções amadoras no espaço mediático?»

Luís Santos, no Atrium
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«O jornalista já não é um curioso. É um operário da informação»

«[...] No jornalismo é assim, há muito disto, infelizmente, muito lobby, muito grupinho, muito Abel de manhã e Caim à tarde. O que acaba por ter a sua lógica, convenhamos. Afinal, não se pode dar à língua entre amigos, se alguns a trazem ocupada a polir as botas de uns ou a humedecer os recantos de outros. É uma questão de sobrevivência, compreende-se. É a lei da vida, suporta-se.»

«[...] As notícias circulam mais e melhor contadas, com mais rigor, com mais profissionalismo. O jornalista já não é um curioso. É um operário da informação. E assim as notícias, não os jornalistas, vão mudando o mundo. Todo ele, aqui o nosso mundinho também. E todos desejamos que seja para melhor. Num meio pequeno e com poucos recursos, a competitividade é saudável, a concorrência estimulante, mas a solidariedade de classe, a decência inter-pares, é mais fundamental que nunca para a qualidade do produto final, que é a soma de todos os produtos finais que todos os jornalistas, estagiários e colaboradores de toda a ordem criam e constroem, todos os dias e para toda a gente, nesta terra em que vivemos.»

Rui Vasco Neto, no Sete Vidas Como os Gatos

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Wednesday, February 20, 2008

Quem viu?

A entrevista de José Sócrates transmitida pela SIC foi o sexto programa mais visto de segunda-feira, tendo sido seguido por pouco mais de um milhão de portugueses.

Segundo a Media Monitor, da Marktest, a entrevista teve «uma quota média de telespectadores de 27,3 por cento e uma audiência média de 12,8 por cento».

O “Especial Informação - Pão Nosso de Cada Dia”, que passou à mesma hora na TVI, foi o programa mais visto daquele dia.

Análise completa aqui. Informações também aqui.

Ainda sobre entrevistas, Luís Paixão Martins lembra, no Lugares Comuns, que «a peixeirada não é um género jornalístico»

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Tuesday, February 19, 2008

Não é tabu….

… São alguns dos ecos que a entrevista de José Sócrates teve na blogosfera.

A Origem das Espécies

Abnoxio I e II

Abrupto

Arrastão

Avenida Central

Blogouve-se

Blasfémias I, II, III

Blogue Atlântico

Causa Nossa I, II

Certamente que sim!

Corta Fitas I, II, III

Fractura Net

Jornalismo e Comunicação

Pedro Rolo Duarte

Womenage a Trois

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Prémios de Jornalismo

A Universidade Nova de Lisboa e Banco Santander Totta estão a promover a 2ª edição do Prémio de Jornalismo Económico. As inscrições estão abertas até 29 de Fevereiro, podendo concorrer todos os jornalistas que tenham publicado trabalhos nas áreas de Economia, Gestão de Empresas ou Mercados Financeiros na comunicação social impressa ou electrónica entre 1 de Dezembro de 2006 e 31 de Dezembro de 2007. Candidaturas e regulamento estão disponíveis aqui.

“Alarga os teus horizontes” é o mote do Prémio Europeu para Jovens Jornalistas, que está a ser promovido pela Direcção-Geral para o Alargamento da Comissão Europeia, em cooperação com a European Youth Press Association. O objectivo do concurso consiste em encorajar os jovens jornalistas a reflectirem e expressarem as suas opiniões acerca da política de alargamento da UE. No final do concurso, cada país participante irá seleccionar um vencedor nacional e os 35 vencedores irão participar numa viagem de grupo de 3 dias aos países dos Balcãs ocidentais. Os trabalhos a concurso têm de ser publicados entre Janeiro de 2007 e 15 de Março de 2008, por jovens entre os 17 e os 27 anos. Mais informações e artigos acerca do alargamento da UE aqui.

A Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP) está a promover mais uma edição dos seus prémios culturais: “Prémio SHIP - Imprensa Regional”, para artigos publicados na imprensa periódica do ano anterior que abordem a Identidade Nacional; “Prémio SHIP - Monografia”, que tem como tema “Padre António Vieira – A dimensão cultural da sua mensagem”; e “Prémio SHIP - Livro”, para obras que tenham sido editadas nos últimos 5 anos, que melhor retratem os valores pátrios. O prazo de entrega dos trabalhos é o dia 31 de Março. Mais informações e regulamentos aqui.

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Monday, February 18, 2008

Dúvida disparatada

Ferreira Fernandes quer «acabar de vez com os rottweilers», defendendo que «todos os cães perigosos (a lista deles é oficial) deviam ser abatidos ou colocados em situação idêntica aos animais dos zoos, controlados».

Manuela Moura Guedes, que regressa ao pequeno ecrã a 4 de Abril, considera-se uma «rottweiler das notícias».

Seguindo a lógica de Ferreira Fernandes, deve ser tomada alguma providência?

Posted by Luísa Teresa Ribeiro in 18:52:33 | Permalink | No Comments »

A Arte de Mentir (por António Barreto, no Público)

Este texto, públicado no Público, no passado dia 27 de Janeiro, deve servir de reflexão, para nós, profissionais da comunicação e, principalmente, para o público em geral.
Depois de lido, pergunto: Será um exagero? (espero que sim)

“…Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricam. São os assessores…”

“…vivem agarrados aos telemóveis, aos BlackBerries, aos Palms e aos computadores.
Falam todos os dias com os administradores, directores e jornalistas das televisões, das rádios e dos jornais. Dão, escolhem, programam e escondem notícias. Mostram aos políticos e aos gestores o que é do interesse deles. Planificam a informação. Calculam os efeitos e contam as referências feitas na imprensa.Tratam da imagem, compram camisas para os seus mestres, estudam-lhes as gravatas, preparam momentos espontâneos, formulam desabafos, encenam incidentes e organizam acasos. Revelam a intimidade que se pode ou deve revelar…”

“… Os jornais parecem-se uns com os outros. As notícias são quase iguais. As agendas das redacções são gémeas. Salva-se, desta uniformidade, aqui e ali, quem assina o que escreve. Os noticiários das televisões têm agendas iguais. E alinhamentos de notícias também. Os directos, grande vício da televisão portuguesa, são iguais em todos os canais. Cada vez mais, a informação está previamente organizada, não pelas redacções, não pelos jornalistas, mas pelos agentes e pelos assessores…”

“… Até a Entidade Reguladora para a Comunicação, sem ver os efeitos nefastos, achou por bem ter uma agência a tratar da sua informação…”

Nada como ler este artigo na integra.
Dá que pensar!

Posted by Pedro Costa in 12:37:44 | Permalink | No Comments »

Sunday, February 17, 2008

Habituem-se

O Provedor do Leitor do Público debruça-se sobre a investigação levada a cabo pelo jornal acerca de José Sócrates. Joaquim Vieira apresenta aqui as acusações de António Costa ao Público e os esclarecimentos de José Manuel Fernandes e José António Cerejo.

«Este tipo de escrutínio dos titulares dos poderes públicos, que pode contribuir para escolhas mais informadas e conscientes dos eleitores sobre quem os deve governar, é tradicionalmente destacado como um dos apanágios mais nobres do jornalismo, pelo que releva mais da imprensa de referência, imbuída de forte componente de serviço público, do que da tablóide».

«Não publicar uma investigação porque a anterior visava a mesma entidade, ser “politicamente correcto” ao ponto de meter notícias na gaveta porque é a vez de pôr outros em causa, significa perder a independência. O jornalismo não se substitui à justiça, mas deve ser tão cego quanto ela. Saber conviver com isso é, para os detentores de cargos públicos, uma prova de maturidade democrática.»

Joaquim Vieira

«Tenho escrito muito mais sobre pessoas do PS do que, provavelmente, sobre pessoas de outros partidos. E então? Será que o dr. Costa quer aplicar aos jornalistas uma espécie de quota relativa aos assuntos de que podem tratar? X PS, Y PSD e por aí fora? Sucede ainda, que, desde 1990, data da criação do PÚBLICO, o PS tem muito mais anos de maioria na Câmara de Lisboa, sobre a qual incide uma grande parte do trabalho que tenho produzido neste domínio, do que qualquer outro partido. E o mesmo sucede com as maiorias governamentais do PS no mesmo período. Acresce que a minha dedicação a este género de trabalho, por razões que não vêm ao caso, se intensificou a partir de 1995, restando 12 anos em que as maiorias PS são, provavelmente, ainda mais notórias. E é sobre quem tem o poder, como é sabido, que estes trabalhos incidem mais frequente e justificadamente.»

José António Cerejo

«Não há nenhuma campanha ad hominem. Há investigações sobre factos que chegaram ao conhecimento do jornal»

«Os políticos, todos eles, têm de se habituar à crítica e ao escrutínio público. Mesmo a críticas eventualmente injustas e erradas. Responder-lhes com declarações de guerra é, a meu ver, intolerável por visar coagir os jornalistas e isolar as vozes críticas.»

José Manuel Fernandes

Miguel Sousa Tavares também escreve sobre esta matéria no Expresso, num texto que pode ser encontrado aqui.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro in 16:45:07 | Permalink | No Comments »

Quem paga?

«A pequena história, não escrita, do jornalismo (não só em Portugal…) inclui uma prática de supostas “viagens em serviço”, que mais não eram do que formas acessórias de compensação para uma actividade mal remunerada. Em países menos desenvolvidos e periféricos, em que o turismo era privilégio de minorias, percebe-se que o “negócio” (lazer disfarçado em “viagem de serviço”, em troca de uma “notícia simpática”) fosse prática corrente.

Ora, Portugal tem hoje grupos de media com músculo financeiro suficiente para se permitirem estabelecer, nesta área, regras que contribuam para a credibilização do serviço que é disponibilizado ao público consumidor de informação. Isto sem se cair na ingenuidade de se pensar que deixaram de existir viagens profissionais com contornos equívocos…»

Mário Bettencourt Resendes
Provedor do Leitor do Diário de Notícias
Em “As boas práticas nas viagens profissionais

Posted by Luísa Teresa Ribeiro in 02:13:53 | Permalink | No Comments »

Saturday, February 16, 2008

Perguntas (im)pertinentes

“Comissão da Carteira e de Direitos de Autor?” No ContraFactos & Argumentos

“O leitor fica mais ou menos informado consoante se lhe proporciona a identificação da fonte ou quando se opta por omitir a fonte?” No Lugares Comuns

“Afinal, faz-se um jornal para o leitor, para o editor, para a concorrência, ou para ganhar prémios?” N’ Os Filhos da Pauta

“Existe de, facto, a contraposição entre bloggers e jornalistas? Como tratar os jornalistas-bloggers?” No Jornalismo e Internet

“Como apelar ao sentido de noticiabilidade dos media e concentrar a sua atenção no fenómeno do tráfico humano?” N’ O Mal da Indiferença

“Quando a internet parece ultrapassar o limite ético?” N’ Os Filhos da Pauta

“O pesquisador do futuro (não sabe pesquisar?)” No Intermezzo

“Antes do Hi5 estávamos sós, irremediavelmente sós, sem comunicação, ignorando-nos? Ou já nos conhecíamos mas preferimos a internet porque, ao perto, somos insuportáveis?” No A Origem das Espécies

“Será que conto por três portugueses?” No Indústrias Culturais

“O que virá a seguir?” N’ O Absurdo

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