«A televisão é um meio extremamente sensorial, e esse apelo às emoções é inevitável. O que me parece perigoso é quando o entretenimento invade os terrenos da informação, que deviam ser claramente distintos».
«Acho que [o canal RTP] está próximo da ideia do serviço público que é possível fazer nas condicionantes em que a empresa vive, como sempre esteve. Não me parece que tenha havido essa diferenciação tão evidente nos últimos anos. Houve alguma, mas muito por responsabilidade dos outros operadores generalistas que se agarraram à monocultura da telenovela».
«Não me parece que haja um mercado maior a explorar. Tenho receio que [mais um canal] não acrescente muito ao nível do que faz mais falta: a aposta em ficção portuguesa de qualidade, por exemplo, ou a produção de novos documentários sobre o país, a sua história e a sua cultura (no sentido mais lato possível)».
«O jornalismo não é, hoje em dia, uma profissão de sucesso garantido. E a ilusão da fama não passa disso, de ilusão. Além de que é, genericamente, uma actividade muito mal paga. Sobre os cursos haveria muito para dizer, mas estão ainda longe do que deveriam ser».
Carlos Daniel, em entrevista ao Ensino Magazine.