Friday, May 9, 2008

Insuportável Vazio (2)

“Mas não é só pela ausência de qualquer matéria de interesse público, a começar pela política, que a irrelevância deixa as suas marcas. Há também uma degradação da própria cobertura noticiosa, em relação a padrões de maior qualidade atingidos há alguns anos. Por exemplo, a velocidade de cobertura das notícias e a sua diversificação está cada vez mais dependente de horários de funcionalismo público e da escassez de jornalistas ou de métodos conservadores de manter a agenda nas redacções. A única coisa para que as televisões parecem mostrar plasticidade e velocidade são os acidentes e o futebol. Há um morto num acidente de viação num sítio qualquer do País e saem a toda a velocidade os carros de exteriores para os “directos”.

Na verdade, o País fecha com o telejornal da noite para tudo o que não sejam irrelevâncias e, a partir daí, pouco mais do que repetições são de esperar, mesmo em televisões e rádios noticiosas que é suposto funcionarem 24 horas por dia. Aqui está-se a andar, e muiro, para trás. A ideia de que uma notícia deve ser dada o mais cedo possível desaparece com a acumulação de material que fica à espera do dia seguinte, muitas vezes das 13 horas, para finalmente aparecer. Deixaram de ser as notícias a mandar, mas apenas os alinhamentos dos noticiários e as suas conveniências. Os que sabem que uma coisa aconteceu, entre as oito e a meia-noite, período de tempo que já foi nobre para conduzir actividades para os que trabalham durante o dia, muito provavelmente têm que se habituar a que os horários preguiçosos das televisões tornem inexistente tudo o que aconteça à noite e não seja uma gala ou um jogo de futebol”.

Pacheco Pereira In Sábado

Posted by Pedro Antunes at 13:28:42 | Permalink | No Comments »

Insuportável Vazio (1)

“António Barreto escreveu sobre isso recentemente, sobre a cada vez maior irrelevância dos espaços de notícias na rádio e na televisão. Junto a minha à sua voz, farto, literalmente farto de esperar por notícias e, quando estas não são substituídas por mais um jogo de futebol em horário nobre, de encontrar apenas casos médicos, acidentes, protestos desirmanados, sem enquadramento nem trabalho jornalístico, “acesso” à televisão porque se faz, ou se promete fazer, diante das câmaras, barulho.

A política nacional e internacional desapareceu dos noticiários televisivos. Então se não houver imagens picantes, apncadaria no parlamento da Coreia, mortos no Iraque ou assobios ao primeiro-ministro, então é que não se passa nada. A excepção são os “momentos-Chávez” do primeiro-ministro na RTP, mas mesmo estes parecem esgotados e o homem tem de se vestir como se tivesse o ébola pela frente para aparecer de burka na televisão. O que interessa à televisão, é, obviamente, a burka.

Eu sei que se disser que o Presidente da República devia era ter denunciado a anemia cívica dos órgãos de comunicação social (a começar pelo que tem o recorde de jogos de futebol em vez de notícias e é pago pelos nossos impostos supostamente para ser diferente, a RTP), a resposta dos responsáveis por esses órgãos é que ninguém quer saber de política, porque os políticos são maus e não dizem nada que interesse a ninguém. E ainda sobra para mim. Na verdade, está fechado o círculo da irrelevância e vai ser difícil quebrá-lo”.

Pacheco Pereira In Sábado

Posted by Pedro Antunes at 12:43:51 | Permalink | No Comments »