«Lugares de Portugal que só “existem” de vez em quando»
O “Sexta” faz manchete com a pergunta “Quantas vezes se fala de Paredes de Coura?”, chamando a atenção para uma reportagem sobre as «terras que só são faladas uma vez por ano». Lá dentro, o título é “Dias que valem por um ano”.
O jornal gratuito começa logo com um disparate na primeira página: afirma que o Festival Heineken Paredes de Coura se realiza «dentro de um mês», quando começa já na próxima quinta-feira. Ora aqui está um exemplo do que não se deve fazer: só falar uma vez por ano e ainda por cima dizer asneiras na manchete.
No artigo, a confusão é total. No início diz-se que o festival começa a 31 de Agosto, mas mais à frente já se refere que decorre «até dia 3 de Agosto».
Quem recebeu o “Sexta” por ter comprado o “Público” deve ter reparado que o Ípsilon dedica duas páginas aos Sex Pistols, que actuam no primeiro dia do festival de Coura. E aí a data está correcta.
A lista de localidades das quais, segundo semanário, só se fala «uma vez por ano» inclui também Vila Nova de Cerveira, apresentada como sendo «conhecida pela ligação a Goyan», embora ofereça «muito mais». Qual é o português que não conhece Goyan?!
O artigo lembra ainda os extintos festivais de Vilar de Mouros (que deve regressar para o ano) e de Vieira do Minho. A notícia, no segundo caso, seria igualmente a possibilidade de regresso do Festival Ilha do Ermal em 2009, mas não houve espaço para falar desta vila. Talvez para o ano.
A reportagem refere que esta «é, provavelmente, a primeira vez este ano que a vila [de Paredes de Coura] faz notícia. É preciso um grande evento para ser falada». (Por acaso, ainda há pouco tempo quase todos os nacionais falaram de uns garranos mortos a tiro no Corno de Bico, uma área com um nome pitoresco, que dá para fixar…) Nesta perspectiva, os órgãos de informação locais e regionais pouco ou nada parecem contar. Não «fazem notícia»….
Depois, pode ler-se que «música, arte, touradas ou feiras temáticas costumam ser motivo para notícia». Continuo fascinada com os critérios de noticiabilidade. Os mesmos critérios que, aliás, já levaram Paredes de Coura a aprovar um voto de repúdio pela «deficiente» cobertura que a RTP faz dos acontecimentos e iniciativas do concelho…
Este é um tema muito interessante. Porque é que há, em Portugal, «inúmeros» lugares «que só “existem” de vez em quando»? E porque é que há «terras que já nem uma vez por ano são noticiadas»? O que preciso fazer para se ser notícia? É obrigatório ser-se notícia?
Foto retirada do site do Festival de Paredes de Coura
Realmente uma notícia a evitar… Mas a questão de fundo está lá, e mais ainda neste post que lança a pergunta: “É obrigatório ser-se notícia?”. Não, não é, penso eu. Mas é “obrigatório”, recomendável diria, aplicar às eventuais notícias que surjam durante o resto do ano em Paredes de Coura, Zambujeiras e afins o mesmo critério jornalístico que leva um editor, um jornalista a publicar todas as outras. O problema é que a distância, na maior parte das vezes, e a fraca aposta que os meios de comunicação social nacionais fazem na cobertura jornalística fora dos grandes centros, resultam no esquecimento de tudo o que se passa fora desses grandes centros. Mas também não concordo com o contrário, que é o que se defende na moção aprovada pela Assembleia Municipal de Paredes de Coura, que é quase obrigar por decreto, a comunicação social, no caso a RTP, a fazer a cobertura jornalística de tudo quanto acontece no concelho, tenha ou não interesse jornalístico. Simplesmente se não interessa, não adianta publicar, porque para isso já existem os boletins municipais.
“A lista de localidades das quais, segundo semanário, só se fala «uma vez por ano» inclui também Vila Nova de Cerveira, apresentada como sendo «conhecida pela ligação a Goyan», embora ofereça «muito mais». Qual é o português que não conhece Goyan?!”
É, precisamente, é por isto que eu conheço Vila Nova de Cerveira… não é por causa da Bienal de Arte, do rio Minho, da EN13, da Linha do Minho, do Cervo lá no alto. Eu conheço Cerveira por causa de Goian (escreve-se assim ou como é que é??)
Dario Silva.
Eu gosto de bater no ceguinho…Gosto, gosto!!!!
E já agora para que serve a delegação da RTP em Viana do Castelo? Para servir a Galiza e os moradores do prédio do Coutinho? E o Marques Mendes que tem a dizer da pupila que lá pôs?
Eu quero ver a delegação da RTP de Viana a trabalhar e já! Se não lanço uma petição a pedir o seu encerramento. Estou farto das ameaças de penhora porque o Estado não tem dinheiro para pagar a incompetentes!!!! E porque é que tenho que ser eu a pagar????