Janeiro 31, 2008

Televisão Digital Terrestre

No último programa na Rádio Clube Português, a TDT foi o grande destaque com a presença do investigador da Universidade do Minho, Sérgio Denicoli. Resumidamente foram respondidas estas questões:

Todos os televisores estão preparados para receber sinal digital?
Os mais modernos, sim. Quem estiver aparelhos antigos, terá de adquirir uma power box que descodifica o sinal. O preço andará entre os 30 e os 70 euros.

Quando é que o switch off deve estar completo?
A União Europeia estabeleceu o ano de 2012 como meta para todos termos televisão digital, mas isso pode acontecer antes.

Quais as vantagens deste tipo de emissão?
Mais oferta televisiva, melhor som e imagem, possibilidade de se programar o que se deseja ver e interactividade através da Internet.


Quais os grupos interessados em obter, através de concurso público, a licença para o quinto canal?
A Controlinveste (Diário de Notícias e Jornal de Notícias) e a Cofina (Correio da Manhã) estão na linha da frente dos candidatos.

Quantos canais vamos poder ver?
A oferta estará generalizada em dois pacotes. O primeiro será gratuito e terá e espaço para albergar a RTP1, a RTP2, SIC e TVI, mais um novo canal generalista. No segundo, por assinatura, quanto mais se pagar, mais canais se poderão ver, num máximo de 50.

Que desvantagens são apontadas ao novo canal?
Os contras são defendidos, essencialmente, pelos detentores dos canais já existentes--não há lugar, no mercado publicitário, para outro operador em sinal aberto e, por isso, a qualidade da programação terá que diminuir.
Escrito por Pedro Antunes em 18:56:19 | Link permanente | Comments (0) |

Pesadelos

O jornalista que nunca teve pesadelos com a possibilidade de lhe acontecer algo do género que atire a primeira pedra...

[Via 31 da Armada]
Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:08:59 | Link permanente | Comments (0) |

Janeiro 30, 2008

Os Blogues Não São Informação

É recorrente nas conversas entretidas da blogosfera e partem sempre da mesma premissa: serão os blogues informação? A resposta é simples: não são. Ponto final. Já aqui, nos primórdios deste Trio, a

Luísa e eu próprio, tínhamos lançado alguns dados para a discussão. Numa Avenida Marginal, Pedro Romano disserta sobre o assunto. Concordo com o miolo discordo absolutamente da pergunta inicial.

1º Os blogues são, genericamente, fontes de informação e como tal carecem de confirmação. Ao contrário dos sítios dos jornais, revistas e afins onde há a propagação de notícias, sejam saídas de agências noticiosas, sejam editadas pelo corpo redactorial (a edição de uma notícia, pressupõe já o seu tratamento, a sua confirmação, a sua validade).

2º A informação é elaborada por profissionais.

3º Os blogues são óptimos espaços de troca de ideias, de vinculação de posições, mas são sobretudo, espaços individualizados. Ora, uma notícia necessita sempre de um pró e de um contra para ser informação. Aliás, este Trio é uma prova cabal disso mesmo. Para além de ter uma componente pedagógica (e eu não gosto nada da palavra) tentando lançar ideias e opiniões para reflexão dos profissionais de comunicação é, sobretudo, um espaço de opinião. O simples acto de copy e paste de partes de um artigo, estudo ou outra opinião, condiciona logo qualquer definição mais alargada deste Trio, resumindo-se a um blogue de opinião.

4º Concordo em absoluto que, a grande maioria dos jornalistas não se dá bem como os blogues. E não se dá porque não está habituado a um escrutínio constante àquilo que escreve. Lida mal com a crítica. E, mais uma vez, a prova é este blogue, que a classe jornalistíca regional não concorda e olha para ele com sobranceria. "Quem são estes para dizerem isto?". Só esta afirmação é o garante da evolução urgente que os profissionais têm que fazer no sentido de tornarem mais transparentes os seus actos de escrita. A auto-crítica, o valor notícia (de que falarei adiante), o rigor e a disciplina não podem ser alvo de assobios para o lado, nem podem estar metidos na gaveta da conveniência.

5º O valor de uma notícia não é definido por bloggers. É definido por editores e por jornalistas. Para, por exemplo, o Avenida Central a notícia das conversas improváveis pode ser relevante mas para o Bracara Augusta pode não ser. Como para o Bracara Augusta o báculo do arcebispo pode ser merecedor de uma discussão pública e para o Avenida Central pode não merecer mais do que um rodopé. (Isto são só exemplos hipotéticos). Ora com a editoria de um jornal passa-se precisamente a mesma coisa. Porque o valor-notícia varia em função dos propósitos editoriais das publicações. Se o Público avança mais depressa para a divulgação do um estudo, o Correio da Manhã avança mais depressa para a morte de uma qualquer pessoa.

6º A discussão deveria, por isso, centrar-se no valor-notícia. A importância deste conceito é dada pelos leitores onde estão inseridos os bloggers. Isto é, um blog é um local de escrutínio do valor de uma notícia (concordo/não concordo; está bem feito/está mal feito) da mesma forma que as páginas de leitores o são, acrescentando, algumas vezes, mais valor a essa informação, tornando-se fontes privilegiadas de informação. A questão do anonimato é o calcanhar de aquiles da blogosfera. Os jornais, neste ponto, já estão mais à frente.

7º A má-relação entre blogues e jornalistas deve-se, sobretudo, ao aumento do conhecimento por parte dos primeiros das práticas e dos modos de produção da informação dos segundos. O uso e abuso de agências de informação; a realização massificada de informação, muitas vezes estéril e oca e a falta de organização pessoal e profissional dos jornalistas faz com estes usem e abusem de desculpas. Desculpas essas que vão sendo questionadas gradualmente, desarmando os profissionais de comunicação. Ora, se há grupo que gosta de se sentir seguro e insuspeito são os jornalistas. O questionamento dos seus métodos (alguns duvidosos) faz com que a sua relação com os blogues, por exemplo, seja de distanciamento e mesmo de pretensa indiferença. Mas o caminho faz-se caminhando e mais tarde ou mais cedo, tanto blogues como jornais irão encontrar o ponto de equilíbro na sua convivência, ocupando cada um o seu lugar, de forma transparente, visível e nominal.

Escrito por Pedro Antunes em 15:48:24 | Link permanente | Comments (0) |

"A arte de mentir"

É absolutamente obrigatório ler (mesmo com uns dias de atraso) o artigo de António Barreto intitulado “A arte de mentir”, publicado no passado domingo no Público e que pode ser encontrado aqui. É um excelente retrato do mundo da assessoria e do jornalismo que (não) se faz. Para ler, pensar e quem sabe agir...

Estas são algumas das ideias:

«Escrevem notícias com todos os requisitos profissionais, de modo a facilitar a vida aos jornalistas. Mentem de vez em quando. Exageram quase sempre. Organizam fugas de imprensa quando convém. Protestam contra as fugas de imprensa quando fica bem. Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricaram. São as fontes. Que inundam ou secam».

«Os jornais parecem-se uns com os outros. As notícias são quase iguais. As agendas das redacções são gémeas. Salva-se, desta uniformidade, aqui e ali, quem assina o que escreve. Os noticiários das televisões têm agendas iguais. E alinhamentos de notícias também. Os directos, grande vício da televisão portuguesa, são iguais em todos os canais. Cada vez mais, a informação está previamente organizada, não pelas redacções, não pelos jornalistas, mas pelos agentes e pelos assessores. Quem tem informação manda em quem investiga, escreve e transmite. Grande parte da informação é encenada e manipulada, de acordo com as conveniências. [...] O poderio das organizações de comunicação é avassalador. A opinião pública não tem meios para escolher e resistir. Só a independência dos jornalistas poderia fazer frente a este domínio inquietante. Mas esta é um bem raro. Até porque os empregos na informação são cada vez mais precários».

«Nas redacções, povoadas hoje por jovens estagiários e inexperientes, mas também por seniores preguiçosos, publicar directamente as notícias assim preparadas, ainda por cima por jornalistas e antigos jornalistas treinados, é a solução mais simples. [...]».

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:51:11 | Link permanente | Comments (0) |

Janeiro 29, 2008

Um quarto dos jornalistas pensa deixar a profissão

Um estudo conduzido por Scott Reinardy, professor da Universidade de Ball State, nos Estados Unidos, revela que, «de entre 770 jornalistas, 25,7% afirmam ter intenção de deixar o jornalismo e 36,2% respondem não saber se vão sair». Nos jornalistas com idade inferior a 34 anos, «31% têm vontade de sair e 43,5% não sabem».

Os baixos salários, os horários de trabalho e o stress são os principais motivos que justificam a vontade de mudar de profissão.

A investigação mostra que os profissionais que «dizem ter vontade de abandonar a profissão não pretendem sair necessariamente da indústria dos media». Entre as suas pespectivas profissionais está trabalharem como freelancers ou relações públicas.

Os resultados do estudo estão aqui e a notícia sobre este trabalho que foi publicada no Editor&Publisher pode ser encontrada aqui [Via Ponto Media]. Uma versão em português está aqui, no Meios & Publicidade.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 09:24:05 | Link permanente | Comments (1) |

Janeiro 28, 2008

Museu da Imprensa mostra Manchetes do Regicídio

O Museu Nacional da Imprensa inaugura amanhã, dia 29, às 18h00, a exposição documental intitulada “As Manchetes do Regicídio, composta por mais de meia centena de publicações. Esta iniciativa visa assinalar o centenário do assassinato do Rei D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908.

Segundo a nota de imprensa do Museu, «especial destaque merecem os originais do
Jornal de Notícias e Primeiro de Janeiro, bem como a revista “Ilustração Portuguesa”, na qual podem ver-se imagens dos corpos estendidos no chão, acompanhadas pelo relato dos acontecimentos».

A mostra inclui as primeiras páginas de jornais como
Diário de Noticias, “Aurora do Lima”, “A Lucta”, “A Nação”, “O Futuro”, “A Voz Publica”, “Vanguarda”, “Diário Ilustrado”, “Diário Popular”, “O Commercio do Porto”, “O Mundo” e “O Século”.

A exposição “As Manchetes do Regicídio” pode ser vista no Museu da Imprensa, no Porto, até 31 de Maio, todos os dias das 15h00 às 20h00.

Para ver também aqui o que escreveram o
Diário de Notícias" e O Século".

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 20:02:56 | Link permanente | Comments (0) |

Porque A Verdade Dói

Quando menos se espera somos atacados por um qualquer arrastão. Para que conste aqui fica mais uma ideia:

"A imprensa local é ainda hoje muito dependente da publicidade local e pública, o que demasiadas vezes limita a sua independência política. Os blogues têm sido, em muitos lugares, um espaço raro de opinião livre. Uns são anónimos, outros assinados, uns são de políticos ou candidatos a políticos, outros de simples cidadãos, uns são individuais outros colectivos. Uns são excelentes e outros nem por isso. Mas se há blogues que têm sentido as pressões e as perseguições políticas (por vezes judiciais) são os blogues locais. Demasiados autarcas estão pouco habituados à crítica e à denúncia".

Palavras retiradas daqui

Escrito por Pedro Antunes em 15:10:20 | Link permanente | Comments (0) |

Dúvidas que atormentam

«É uma perfeita loucura a quantidade de coisas que precisamos de saber para podermos ler um jornal. As nossas publicações, mesmo aquelas que se proclamam populares, estão infestadas de signos indecifráveis, de referências obscuras, de alusões a acontecimentos e personagens esquecidos [...]. O maior defeito de que nós, jornalistas, enfermamos é o de falarmos de tudo, como se o leitor soubesse antemão aquilo que lhe vai ser comunicado».

A. Frossard, jornalista do semanário Le Point
em Ricardo, Daniel (2003). Ainda bem que me pergunta. Lisboa: Editorial Notícias, pag. 43

Esta foi a citação que me veio à cabeça quando tentei ler uma revista dita “de televisão”.

Fiquei com muitas dúvidas, mas a mais atroz é se é suposto eu saber o
que se passa na vida alegadamente privada de pessoas que não sei (nem quero saber) quem são!

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:46:47 | Link permanente | Comments (0) |

Janeiro 27, 2008

Adivinhos ou nem por isso?

«Certas notícias parecem surgir por obra e graça do Espírito Santo ou por telepatia. Mas o jornalista é um agente mediático, não mediúnico. O que o devia obrigar, sempre que não foi testemunha directa dos factos, a explicar ao público como chegou até eles».

Joaquim Vieira
Provedor do Leitor do Público
Em “Para onde foram as fonte?”, no Blogue do Provedor
Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 23:18:06 | Link permanente | Comments (0) |

Janeiro 26, 2008

Bloggers suscitam “Conversas Improváveis”

Os blogues Avenida Central, Colina Sagrada, Disputa, Fontes do Ídolo, Mal Maior e Mesa da Ciência iniciam segunda-feira, dia 28 de Janeiro, um ciclo de “Conversas Improváveis”, procurando suscitar a discussão sobre temas muitas vezes desencontrados.

Os debates, inseridos numa iniciativa designada por “Café Blogue”, começam com o tema “Urbanismo e Saúde Mental”, com a participação de Miguel Bandeira, professor de Geografia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, e João Bessa, médico interno de Psiquiatria e docente da Escola de Ciências da Saúde.

Nos primeiros seis meses deste ano, sempre na última segunda-feira de cada mês, pelas 21h30, na Velha-a-Branca ou no Espaço Pedro Remy, em Braga, três bloggers conversam com duas personalidades de áreas (mais ou) menos interligadas.

«A blogosfera é um espaço de cidadania cuja importância se tem acentuado ao longo dos últimos tempos, tornando-se num pólo importante de participação cívica. Em muitos casos, o palco blogosférico tem substituído as tertúlias dos velhos tempos. Ainda assim, a discussão virtual não tem a alma da conversa viva em que o pulsar das ideias se sente no vigor das palavras entoadas e dos argumentos cruzados», afirmam os promotores desta iniciativa.

Os bloggers adiantam que o “Café Blogue” «não esgotará a sua acção cívica nas "Conversas Improváveis"», prevendo «novas iniciativas, com formatos distintos e que passarão por outras localidades minhotas», para o segundo semestre de 2008.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 22:22:24 | Link permanente | Comments (0) |
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