É recorrente nas conversas entretidas da blogosfera e partem sempre da mesma premissa: serão os blogues informação? A resposta é simples: não são. Ponto final. Já aqui, nos primórdios deste Trio, a
Luísa e eu próprio, tínhamos lançado alguns dados para a discussão. Numa Avenida Marginal, Pedro Romano disserta sobre o assunto. Concordo com o miolo discordo absolutamente da pergunta inicial.
1º Os blogues são, genericamente, fontes de informação e como tal carecem de confirmação. Ao contrário dos sítios dos jornais, revistas e afins onde há a propagação de notícias, sejam saídas de agências noticiosas, sejam editadas pelo corpo redactorial (a edição de uma notícia, pressupõe já o seu tratamento, a sua confirmação, a sua validade).
2º A informação é elaborada por profissionais.
3º Os blogues são óptimos espaços de troca de ideias, de vinculação de posições, mas são sobretudo, espaços individualizados. Ora, uma notícia necessita sempre de um pró e de um contra para ser informação. Aliás, este Trio é uma prova cabal disso mesmo. Para além de ter uma componente pedagógica (e eu não gosto nada da palavra) tentando lançar ideias e opiniões para reflexão dos profissionais de comunicação é, sobretudo, um espaço de opinião. O simples acto de copy e paste de partes de um artigo, estudo ou outra opinião, condiciona logo qualquer definição mais alargada deste Trio, resumindo-se a um blogue de opinião.
4º Concordo em absoluto que, a grande maioria dos jornalistas não se dá bem como os blogues. E não se dá porque não está habituado a um escrutínio constante àquilo que escreve. Lida mal com a crítica. E, mais uma vez, a prova é este blogue, que a classe jornalistíca regional não concorda e olha para ele com sobranceria. "Quem são estes para dizerem isto?". Só esta afirmação é o garante da evolução urgente que os profissionais têm que fazer no sentido de tornarem mais transparentes os seus actos de escrita. A auto-crítica, o valor notícia (de que falarei adiante), o rigor e a disciplina não podem ser alvo de assobios para o lado, nem podem estar metidos na gaveta da conveniência.
5º O valor de uma notícia não é definido por bloggers. É definido por editores e por jornalistas. Para, por exemplo, o Avenida Central a notícia das conversas improváveis pode ser relevante mas para o Bracara Augusta pode não ser. Como para o Bracara Augusta o báculo do arcebispo pode ser merecedor de uma discussão pública e para o Avenida Central pode não merecer mais do que um rodopé. (Isto são só exemplos hipotéticos). Ora com a editoria de um jornal passa-se precisamente a mesma coisa. Porque o valor-notícia varia em função dos propósitos editoriais das publicações. Se o Público avança mais depressa para a divulgação do um estudo, o Correio da Manhã avança mais depressa para a morte de uma qualquer pessoa.
6º A discussão deveria, por isso, centrar-se no valor-notícia. A importância deste conceito é dada pelos leitores onde estão inseridos os bloggers. Isto é, um blog é um local de escrutínio do valor de uma notícia (concordo/não concordo; está bem feito/está mal feito) da mesma forma que as páginas de leitores o são, acrescentando, algumas vezes, mais valor a essa informação, tornando-se fontes privilegiadas de informação. A questão do anonimato é o calcanhar de aquiles da blogosfera. Os jornais, neste ponto, já estão mais à frente.
7º A má-relação entre blogues e jornalistas deve-se, sobretudo, ao aumento do conhecimento por parte dos primeiros das práticas e dos modos de produção da informação dos segundos. O uso e abuso de agências de informação; a realização massificada de informação, muitas vezes estéril e oca e a falta de organização pessoal e profissional dos jornalistas faz com estes usem e abusem de desculpas. Desculpas essas que vão sendo questionadas gradualmente, desarmando os profissionais de comunicação. Ora, se há grupo que gosta de se sentir seguro e insuspeito são os jornalistas. O questionamento dos seus métodos (alguns duvidosos) faz com que a sua relação com os blogues, por exemplo, seja de distanciamento e mesmo de pretensa indiferença. Mas o caminho faz-se caminhando e mais tarde ou mais cedo, tanto blogues como jornais irão encontrar o ponto de equilíbro na sua convivência, ocupando cada um o seu lugar, de forma transparente, visível e nominal.