Friday, January 25, 2008

A perspectiva geográfica de quem informa

No acto de comunicar, em momento algum devemos esquecer um elemento essencial: O público.

Um destes dias, no jornal da 13 horas, da SIC, o pivot usou a expressão: “…no próximo Sábado, o Vitória de Guimarães vem a Lisboa defrontar o Benfica…”.

As questões da formatação do modelo de comunicação são amplamente discutidas no interior de estações de televisão (e de rádio também) e são contempladas no tão falado “Livro de Estilo”.

Em minha opinião, a tipologia do órgão de comunicação condiciona o modelo de comunicação adoptado.
Se numa rádio da Madeira, o sotaque madeirense não me parece nada mal, já não faria sentido ouvi-lo num pivot de uma estação de cobertura nacional. Assim como nunca imaginei como soaria (mal) um alentejano apresentar um telejornal de TV. É uma questão de contexto.

Ao informar que o Vitória de Guimarães se deslocaria a Lisboa, penso que a SIC, como órgão de informação de cobertura nacional deveria assumir uma perspectiva neutra (vista de “helicóptero” se preferirmos), mesmo, sabendo nós, que a estação está sedeada em Carnaxide, Lisboa (algo que o espectador comum desconhece).
Se uma rádio local de Lisboa der esta mesma informação, já faz todo o sentido que use o “…o Vitória de Guimarães vem a Lisboa…”. Neste caso, a tipologia define uma perspectiva geográfica local de comunicação.

Tratou-se de um pequeno pormenor de comunicação, e nem acredito que se tenha verificado o que, normalmente, digo com ironia para espicaçar alguns amigos de Lisboa: “Vocês só vêem até à portagem de Alverca“!

Este pormenor motivou a reflexão desta problemática, que é muito mais complexa se falarmos da informação de trânsito que as TV’s e rádios nacionais nos dão de Lisboa e do Porto. 
E que dizer daquela “coisa” que era o CNL, quando foi lançado como produto, puramente, da capital com cobertura nacional, devido aos constrangimentos legais?

Conclusão: Não conheço o Livro de Estilo da SIC, mas, é uma estação de televisão portuguesa. Sentindo-se “lisboeta” algo está errado.

Posted by Pedro Costa at 18:58:14 | Permalink | Comments (4)

Thursday, January 24, 2008

Um pretexto

Celebra-se hoje o dia do padroeiro dos jornalistas, São Francisco de Sales.

Este, como todos os “dias de”, vale o que vale. Tenho para mim, que valerá certamente mais se for um pretexto para reflectir sobre o jornalismo que temos e o jornalismo que queremos. Enfiar a cabeça na areia, como as avestruzes, não é seguramente o melhor caminho. Por muito que isso custe a muita gente…

Deixo algumas das reflexões que Luís Arezes faz hoje, na pag. 17 do Diário do Minho. Um artigo que vale a pena ler na íntegra.

«[...] Os media fazem líderes, constroem ídolos, fabricam mitos, arrebatam multidões, manipulam emoções, ampliam problemas. E assassinam – social e/ou politicamente – personalidades, arruínam projectos, ignoram conflitos, branqueiam situações. Sempre com a rapidez própria das conveniências, por natureza instáveis, e com a urgência dos interesses mais ou menos mesquinhos e obscuros.

[...]

É, aliás, um exercício curioso estar minimamente atento à maneira como determinados órgãos de comunicação constroem a notícia graúda. A sensação com que se fica, muitas vezes, é a de que os factos são feitos. E que o objectivo sub-reptício não é tanto informar, mas alcançar outros propósitos. Isto é, que os critérios subjacentes ao trabalho realizado não são jornalísticos.

Para os especialistas, o que está em jogo é o poder de agendamento que as redacções possuem. [...]

Este poder de condicionamento é de tal dimensão que todos os outros poderes anseiam o beneplácito das simpatias dos media. Porque eles ajudam a construir vitórias e os mesmos empurram para a derrota. E não está garantido que o façam sempre em nome do interesse público…

Corremos, assim, o risco de ficar nas mãos de alguns grupos. Porque, de acordo com as suas estratégias, são eles que constroem a realidade em que nos movemos. É o admirável mundo novo dos media! Mas este mundo só será, efectivamente, admirável se a Escola, a Igreja e outras Instituições assumirem, cada vez mais, a sua missão de educar os consumidores. Para que sejam capazes de ler e não de tresler. Para que tenhamos cidadãos com maturidade cívica e capacidade de discernimento. Para que tenhamos uma verdadeira opinião pública! [...]».


Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 09:25:12 | Permalink | Comments (2)

Televisão em destaque nas “Tertúlias no Museu”

Carlos Daniel (jornalista da RTP) e Felisbela Lopes (Docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho) são os convidados da tertúlia subordinada ao tema “50 anos de Televisão: e agora?”, que se realiza no próximo dia 31 de Janeiro, pelas 21h30, no Museu D. Diogo de Sousa, Braga.

Esta será a segunda sessão do ciclo de “Tertúlias no Museu”, que a Fazer Acontecer está a promover em conjunto com a Rádio Universitária do Minho, o Museu D. Diogo de Sousa, a Livraria Culturminho e a Câmara Municipal de Braga.

A tertúlia será transmitida na RUM (97.5 fm) no dia 6 de Fevereiro.

Paralelamente, decorrerá uma feira do livro alusiva ao tema da tertúlia.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 09:21:40 | Permalink | No Comments »

Wednesday, January 23, 2008

Como estamos de escutas on-line?


Fala-se, cada vez com mais insistência, que a escuta de rádio cresce no formato on-line.
A este propósito, a
Associação Portuguesa de Radiodifusão, divulgou no seu comunicado informativo, um balanço das escutas no seu projecto ROLI.

Citando esse comunicado:
“…as rádios do ROLI tiveram mais de 10 milhões de ouvintes e mais de 9 milhões de horas de escuta, dando uma média de 54 minutos por ouvinte. É como se cada português (em Portugal) tivesse ouvido as rádios do ROLI durante 54 minutos pela internet.
o projecto ROLI tem associadas perto de 190 rádios locais, mas mesmo assim trata-se de um resultado extraordinário se tivermos em conta diversos factores: Só este ano o projecto ROLI entrou em pleno funcionamento; a esmagadora maioria das rádios, nele incluídas, têm programações destinadas a públicos de proximidade; a marca “http://www.radios.pt/” ainda é pouco conhecida no estrangeiro; as suas rádios só têm as marcas reconhecidas nas respectivas áreas de cobertura radioeléctrica.
O projecto ROLI, como sempre dissemos, tem todas as condições para ser um êxito para as rádios portuguesas e, sobretudo, uma mais-valia para Portugal e para a lusofonia.
Os resultados do ROLI, bem como os das rádios públicas, são motivo de orgulho para todos os operadores de radiodifusão. Estou convencido que ainda mais orgulhosos ficaremos quando soubermos os resultados dos restantes operadores, pois eles também serão certamente muito bons.
Mas, como já aqui várias vezes disse, é importante que todos os resultados sejam conhecidos.
A Internet proporciona-nos a possibilidade de conhecermos bem as audiências e de forma fiável ao contrário do que acontece por via hertziana, onde só é possível com estudos efectuados por sondagem e aos quais a maioria das rádios (todas as locais) não têm acesso.
Por isso, há que mostrar e divulgar os resultados para que se demonstre que a rádio não está a desaparecer.”

Posted by Pedro Costa at 15:13:56 | Permalink | No Comments »

Tuesday, January 22, 2008

Meias Palavras

Apeteceu-me hoje pegar numa frase que já tinha citado no meu blogue…é do editor de Economia da SIC.

“O maior problema do caranguejo lutador está há muito identificado-e tem que ser combatido com mais garra em 08: a inveja e a mesquinhez dos medíocres e a incapacidade do sistema lusitano em premiar o espírito empreendedor“.

Posted by Pedro Antunes at 18:09:28 | Permalink | No Comments »

Sunday, January 20, 2008

“encher chouriços” no serviço público!

Próximo das 3h00, madrugada de Domingo, cumpro o ritual diário, do incontornável ”zapping” televisivo antes de dormir.

Ao passar na RTP 2, vejo uma reposição (deduzi eu) do “Desporto 2″. Se já me fazem confusão algumas reposições, na televisão, quando se trata de um programa de actualidade informativa, penso que é “esticar demais a corda”.

Registe-se o ridículo da situação:
Este programa informativo estava a dar conta dos jogos que o Benfica, Sporting e FC Porto “iriam” disputar, para a Taça de Portugal. Antevisões, perspectivas de análise, expectativas com “vivos” dos protagonistas, etc.
Tudo muito bem, se os jogos não se tivessem já disputado na tarde de Sábado, com resultados estabelecidos e eliminatórias resolvidas.

Que serviço público é este que nos fornece “enchidos” que servem para rigorosamente nada?!
A mim, isto parece uma clara falta de profissionalismo, pois nenhum programador no seu juízo perfeito manda pôr no ar uma reposição com este conteúdo.

Já nem falo da grande falta de respeito manifestada pelos públicos dessa, e de outras madrugadas.
Para mim, é inaceitável.
Contrariando o slogan desta estação televisiva, a mim parece-me que: QUEM VÊ… NÃO QUER VER (uma coisa destas)!

PS- Será da transição Santos/Fragoso? Não creio!

Posted by Pedro Costa at 15:16:40 | Permalink | Comments (4)

Saturday, January 19, 2008

Campos de manobra

«Os diários desportivos estão, compreensivelmente, muito dependentes dos mercados de leitura em que se movimentam; por outro lado, a sua relação com determinadas fontes, num cenário de concorrência crescente, restringe a abordagem de alguns temas mais sensíveis e abre um novo campo de manobra para a imprensa generalista que queira apostar numa melhoria da sua informação desportiva.»

Mário Bettencourt Resendes, em “As fronteiras da isenção da informação desportiva
Provedor do Leitor do Diário de Notícias

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 03:31:13 | Permalink | No Comments »

Contra a Indiferença

AMI lança décima edição de prémio de Jornalismo

A Fundação AMI (Assistência Médica Internacional) está promover a décima edição do Prémio AMI – Jornalismo Contra a Indiferença.

O prazo para entrega de trabalhos termina no fim de Fevereiro, podendo ser apresentadas peças jornalísticas de imprensa, televisão, rádio e foto-reportagem que tenham sido publicadas ou difundidas num órgão de Comunicação Social nacional ao longo de 2007.

Esta iniciativa pretende «premiar os trabalhos jornalísticos que, pela sua excepcional qualidade, representem um testemunho e uma contribuição válida para romper o silêncio sobre situações intoleráveis do ponto de vista humano, social, político, económico ou outro».

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 02:12:08 | Permalink | No Comments »

Friday, January 18, 2008

Prós e Contras

“O programa da RTP de Fátima Campos Ferreira tem muitos defeitos, alguns graves. É muitas vezes “prós e prós”, às vezes em matérias suspeitas de governamentalização, as escolhas que não são resultado de recusas tendem a favorecer o poder, e tem um modelo de gigantismo que prejudica a discussão das questões, quer por se querer fazer passar o camelo pelo fundo da agulha quer pela dispersão para o lado, para a irrelevância. Mas sem, o Prós e Contras, no conjunto dos seus vários programas sobre o novo aeroporto de Lisboa, pura e simplesmente a discussão seria sottovoce. Nos Prós e Contras não houve uma discussão, houve a discussão, o que é um imenso mérito.”

Pacheco Pereira in Sábado

Posted by Pedro Antunes at 11:07:05 | Permalink | No Comments »

Basta (de) chorar

É um daqueles livros que se lê por curiosidade e se arruma no lugar mais recôndito da estante, longe dos olhares argutos de quem está habituado a descobrir insólitos nas prateleiras alheias. Mas, surpreendentemente, alguns dos chorrilhos lidos há muito tempo vêm-nos à cabeça. Foi o que me aconteceu ao ver Hillary Clinton a choramingar.

O livro intitula-se “A Princesa – Maquiavel para mulheres”, de Harriet Rubin, lançado em Portugal pela Editorial Presença, em 1999. A publicação, de 150 páginas, está dividida no Livro da Estratégia, Livro das Tácticas e Livro das Armas Subtis. Tudo com bons conselhos para assegurar o sucesso da princesa (por contraponto ao príncipe masculino de Maquiavel).

Harriet Rubin considerava – e recorde-se que o original deste livro é de 1997 – que Hillary Clinton tinha cometido vários erros tácticos. «Hillary lutou como um príncipe, e lutou para conquistar em vez de ser para levar a melhor. O êxito está noutro lado», argumentava (pag. 88).

E, depois, já no Livro das Armas Subtis, dizia que «a maior parte das mulheres confia nas lágrimas por uma questão de submissão, e fica embaraçada quando as usa. As princesas usam-nas porque jogam para além das regras; e nada muda mais depressa o jogo que as lágrimas» (pag. 115). «[...] Noutras circunstâncias, as lágrimas poderiam parecer pequenas e manipuladoras. Mas uma princesa está a jogar para ganhar uma guerra, batalha a batalha [...]», escrevia (pag. 115).

Aparentemente, Hillary Clinton já aprendeu as tácticas de Maquiavel para Mulheres. Basta chorar.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 00:24:30 | Permalink | No Comments »