Advinhem Lá Quem Escreveu Isto
O povo gosta de ver muita gente a falar, sempre muito preocupado com a «pluralidade». Pluralidade significa, em Portugal, ouvir toda a gente que tenha, ainda que remotamente, uma opinião sobre cada assunto. E isto, levado ao absurdo, significa ouvir todos os portugueses! Como tal não é possível, todos os dias cumpre-se o «pluralismo» sempre que se ouve a esquerda e a direira, o acima e o abaixo. E, sobretudo, o contra. Quando se está contra é-se independente. Ser do contra é ser dos sérios.
Esta ideia de pluralismo foi gerada pelo seu contrário: um período de total ausência de opinião. Mas ameaça subverter agora todas as lógicas do bom jornalismo e da boa imprensa, porque contaminou todo o espaço público, produzindo, como resultado, um país em debate permanente: os bitaites estão sacralizados. Sem bitaite não há notícia. Todas as notícias são construídas com bitaites, para permitir outros bitaites sobre essas notícias.
É um país em que todos discutem e quase ninguém faz; onde se treme na acção por se temer a reacção. Um país que suspeita da «política» em todas as decisões e em todas as conversas. Um país em desconfiança permanente em si próprio. Um país em que «ser» é mais importante do que «fazer». Haverá um dia em que deixará de ser assim”.
E esta, hein?