Congresso de Radiodifusão pode ter sido histórico
Acompanhei, este fim-de-semana, o XI Congresso de Radiodifusão da APR, em Vila Real.Na verdade, o nível de debate foi elevadíssimo, pois, quanto a mim, os congressistas terão tido oportunidade de assistir a apresentações de grande qualidade técnica, com inovação, visão estratégica e pertinência.
Destaque para os estudos apresentados no que concerne à difusão da Rádio no futuro das plataformas digitais, além da base de discussão se ter centrado, numa boa parte do congresso, na manutenção ou perda dos factores distintivos do meio rádio e dos novos paradigmas de escuta das novas gerações.
Pelo meio, ainda tempo para falar de regulação, com a presença no painel de um jurista da ERC, numa demonstração de abertura para o plano da discussão e ainda um excelente painel de fecho que avaliou a convergência/divergência, com excelentes contributos de especialistas de media e marketing.
Porque é que este congresso pode ter sido histórico?
Porque na sessão de abertura, Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, com a tutela da Comunicação Social, demonstrou que o Governo PS já não está tão conservador como o demonstrou até agora, sempre que abordou o tema Nova Lei da Rádio, à mesa das negociações, ou não…
Nesta sessão o Ministro anunciou um “simplex” para o sector da rádio, num conjunto de medidas supostamente facilitadoras, mas que me pareceram “encobridoras” do cerne da medida. Na verdade, estarão por aí a chegar legítimados e legalizados grupos de media a desmultiplicar cadeias de rádio por esse Portugal fora que, segundo o Ministro, vão tornar competitivo o panorama de rádio actual que está pejado de microempresas.
Santos Silva do 8 ao 80… e aí está a construção do novo paradigma da rádio em Portugal (a mim apetece-me torcer o nariz de desconfiança com este presente)
Caro Pedro,
Eu também desconfio destas medidas que, na minha opinião, só servem os interesses dos grande grupos e não das rádios locais.
Sempre defendi que cada rádio deveria estabelecer o seu formato e definir o seu público (sendo ela local ou nacional). Uma escolha livre e não dependente de determinados pontos da actual Lei da Rádio.
A questão dos três noticiários obrigatórios e das rádios temáticas parecem ser de interesse das rádios locais desde que não fossem permitidas as cadeias tal como acontece agora.
Não que eu seja contra as cadeias de rádios. Em determinados casos até podem existir desde que seja para aumentar a qualidade da rádio local e diminuir o seu custo. Por exemplo, nos noticiários a determinadas horas e na programação noturna. Mas não o aluguer total da frequência local.
Quanto ao alvará, sempre que, por qualquer razão, o proprietário de uma rádio, quer por aluguer ou venda, transferisse a rádio para uma cadeia nacional, o alvará deviria ser colocado novamente a concurso. Se não vejamos:
Se em determinado concelho fosse aberto o concurso para uma rádio local e houvesse 2 concorrentes. O vencedor, passado algum tempo, vendia ou alugava a rádio, qual era o papel de outro concorrente que viu o seu projecto preterido por outro que depois não o veio a cumprir.
Eu ainda acredito que a Comunicação Social Local tem pernas para andar desde que não lhe andem a “cortar´as perninhas” e a criar obstáculos pelo caminho.
José Francisco Silva
Caro Francisco,
Estou de acordo, pois estas medidas sob o “capote” da competitividade das empresas de media, no fundo servem interesses de quem já está estável (grandes grupos) e aumenta o fosso para as que estão mal (as microempresas de media).
Tem pontos positivos, como a libertação de mais mercado, mas mesmo assim, acho que merecia uma análise séria, para concluirmos, talvez, aquilo que ambos sabemos.
Abraço;
Pedro Costa
Para muitas rádios o futuro poderá ser mesmo através de uma associação com uma rádio dita “maior”. Embora aprecendo uma imposição, contra a qual muitos opinão, a lei no entanto devia sempre obrigar a quie todasa as radio locais , temáticas ou não , deviam ter um minimo de horas feitas no concelho de licenciamento. Se calhar no mínimo quatro horas. Quem quisesse fazer mais fazia. só assim se pode asseguar que as rádio locais nao sejam banidas por completo do panorama radiofónico nacional. Sobre a obrigatoriedade dos noticiários, não tenho ideia formada , mas tem que haver alguma cooisa mais do que música , para se ser uma radio local.
Atónio Filipe
Acrescentando uma acha a esta discussão:
Em primeiro lugar, parece-me que a tipologia das “Locais” devia mudar para “Regionais”, pois é o que elas são, de facto. Todas as estações locais cobrem um conjunto de concelhos e não uma localidade/concelho.
Depois, também acredito que nessas mesmas regiões/localidades devem continuar a poder usufruir de um serviço de radiodifusão, mesmo que outros existam, que sigam por outras vias por razões de mercado.
i agree with you!
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