Monday, December 29, 2008

Azeredo

A história veio contada no jornal “Expresso”. Ninguém protestou ou barafustou. Até esta semana…
Pelos vistos, o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social deu uma entrevista cheia de banalidades aquele jornal semanal. Ora o “Expresso” para apimentar a coisa fez publicar uma caixa onde dá conta do veto de Azeredo Lopes a um dos nomes propostos para a realização da entrevista, por considerar o jornalista pouco isento. Como se não bastasse esta exigência do presidente da ERC, tivemos um jornal dito de referência, a vergar-se à condições apresentando argumentos tão maus que me recuso a publicá-los.

A revista “Sábado” chama para editorial esta questão e coloca alguns dedos na ferida: “Não é preciso perder muito tempo com a atitude de Azeredo Lopes: o homem que tem por função, entre outras, assegurar o respeito pela liberdade de imprensa exigiu vetar o nome de um jornalista. Como já se percebeu que dali não virá protecção nenhuma a essa liberdade, a posição mais complicada é a do “Expresso”".

A direcção da Sábado aproveita e diz ao semnário: “pessoas exteriores às redacções não podem escolher que jornalistas escrevem o quê–porque essa escolha não pode ser um prémio ou uma punição por aquilo que eles escreveram antes. Senão, no futuro, eles passarão a estar mais preocupados com o poder daqueles que atingem do que com a verdade. Em situações de normalidade, a liberdade de imprensa não é feita de grandes frases, é feita de pequenas escolhas”.

O editorial termina de uma forma lapidar: “o símbolo máximo do jornalismo de referência em Portugal decidiu negociar com um potencial entrevistado como se estivesse num mercado de rua em Marrocos. E aceitou pagar um preço alto por uma entrevista que vale perto do zero”.

Concordando com as declarações da direcção da revista “Sábado”, acho que a questão demasiado importante para ficar confinada a um papel. Esta deveria ser a discussão do momento, entre a classe. Em causa, está a profissão enquanto tal.

Posted by Pedro Antunes at 09:37:41 | Permalink | Comments (3)

Thursday, December 18, 2008

TDT já foi insecticida, não é?

A verdade doi, mas não engana…
Dois terços dos portugueses precisam de explicações, porque não sabem como funciona, ou funcionará, a Televisão Digital Terrestre (TDT).
Um estudo do OBERCOM (observatório da comunicação), revela que, apesar do início das transmissões da TDT estar para breve, a população portuguesa ainda não tem uma opinião consolidada em relação a este sistema televisivo».

Mais de metade dos inquiridos (52,8%) respondeu «não sabe/não responde», à pergunta «a televisão digital é melhor do que a analógica?». Sintomático! 
Numa futura campanha de sensibilização em relação a estes assuntos, a maioria dos inquiridos (64,5%) quer ver explicado «o que é a TDT e televisão digital».
Outra conclusão interessante: Dois em cada três dos inquiridos ainda não reflectiu acerca de quando planeia aderir à TDT.
De referir que a esmagadora maioria dos inquiridos, 82,5% mais concretamente, acha que não devia ser o consumidor a pagar o equipamento para a conversão, sendo este indispensável.

Em termos técnicos, a TDT baseia-se no sistema Digital Video Broadcasting Terrestriam (DVB-T), norma escolhida pelos países da União Europeia. Além de duplicar o número de canais gratuitos pela rentabilização do espectro, a TDT permite uma imagem mais nítida e um som mais limpido.

Posted by Pedro Costa at 11:29:56 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, December 10, 2008

Interne-se de novo esse Javali!

O JN traz hoje este título que me fez pensar que ser porco, nem é mau de todo!
 

Posted by Pedro Costa at 13:40:16 | Permalink | Comments (5)

Afinal as rádios cumprem! Que ideia nos vão vender a seguir?

Mais uma vez, as rádios cumprem!
Mais de 80% das estações de rádio portuguesas monitorizadas pela ERC cumpriu, no primeiro semestre de 2008, as quotas de programação de música portuguesa.
A análise dos dados registados no sistema informático da ERC permite concluir que, no segundo trimestre do ano, mais de 80% dos operadores cumpre a quota média mensal nas 24 horas de emissão bem como no período das 7h às 20h.
Não acredita? Veja aqui o estudo completo no site da ERC.

Agora, das duas, uma:
- Ou os músicos (com a indústria fonográfica na sombra) tinham razão, e este Natal já vai ser um “fartote” de discos vendidos (que não da Popota);
- Ou a montanha vai parir um rato e com o fim do mito “As Rádios não gostam da Música Portuguesa” terão que arranjar novas desculpas para a deficiente quantidade e qualidade da música que por cá se faz.
 

Posted by Pedro Costa at 13:25:31 | Permalink | Comments (3)

Friday, December 5, 2008

Olha o SIMPLEX da Comunicação Social!

O Governo aprovou um decreto regulamentar que pretende reduzir encargos administrativos no registo de órgãos de comunicação social.

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, com a aprovação do diploma, é adoptada a regra da «oficiosidade» no registo dos operadores de rádio e televisão. «Com esta medida, o Governo introduz medidas para a redução dos encargos administrativos e em alguns casos com a desmaterialização dos mecanismos de registo». No que concerne à imprensa, o decreto elimina a prova de regularidade das publicações periódicas.
 
O comunicado refere que «por razões de economia legislativa, o diploma regulamenta as disposições previstas na Lei de Televisão relativas ao registo da actividade de televisão que consista na difusão de serviços de programas televisivos exclusivamente através da Internet e ainda o registo dos operadores de distribuição».

Nota: Quanto a mim, serve esta desburocratização, para simplificar de 10 em 10 anos (na renovação das licenças da TV e da Rádio) e propulsionar mais títulos de imprensa. Há mais vantagens?
Quanto a Internet, são outros “carnavais” mais globais!

Posted by Pedro Costa at 16:16:06 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, December 3, 2008

Pois, já passou um ano…

Foi há um ano que o programa “Trio de Jornalistas”, do Rádio Clube – Minho, começou a ser complementado por este blogue.

No início, o blogue terá causado algum espanto, pelo facto de quatro jornalistas (sim, nós temos a originalidade de sermos um trio de quatro!) de órgãos de comunicação diferentes se proporem problematizar o mundo dos media. Mas a surpresa inicial já passou…

Ao longo deste ano, nem sempre conseguimos manter a regularidade que seria desejável. Mas mantivemos-nos fiéis ao princípio de analisar o que nos pareceu ser mais relevante, mesmo quando era mais cómodo assobiar para o ar.

Embora tenha sérias dúvidas em relação aos jornalistas-comentadores-de-tudo-e-mais-alguma-coisa, é forçoso reconhecer que, por vezes, há jornalistas que se esquecem de que são cidadãos.

A cultura do princípio da objectividade levada ao extremo pode transformar os jornalistas em meros “pés de microfone”, em porta-vozes acríticos de interesses mais ou menos identificados.

Como cidadãos de pleno direito, os jornalistas devem começar por reflectir sobre o seu exercício profissional, essencial para uma sociedade democrática e plural.

Um dos riscos desta profissão – assim como das outras – é deixarmos de pensar sobre as práticas quotidianas. Questões como quem faz, como faz e em que condições é que faz são importantes para perceber o jornalismo que temos e que poderemos vir a ter.

Entre os que insistem na crucificação dos jornalistas por tudo o que acontece e os que defendem a sua desculpabilização total, é preciso encarar a realidade.

Os blogues têm contribuído para o aumento do escrutínio do jornalismo, o que me parece muito positivo. Os jornalistas não podem ficar à margem desta análise, fazendo de conta que não é nada com eles.

A reflexão deve ser feita internamente, mas também em articulação com os agentes com os quais inevitavelmente o jornalismo se cruza.

É isso que nos propomos continuar a fazer por aqui. Com quem se quiser juntar a nós, jornalista ou não.

Obrigada a todas/os.

Foto retirada daqui.

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 01:53:31 | Permalink | Comments (2)