Fevereiro 29, 2008

Vai um comprimido?

Na emissão de ontem do programa Trio de Jornalistas (RCP) debatemos a questão da publicidade na imprensa. Hoje, nem de propósito, dei por mim a folhear distraidamente a revista “Família Portuguesa”. Lembro-me de já a ter visto em farmácias, mas nem suspeitava que tinha uma em casa.

Em destaque na primeira página da “Edição Especial 2008” está Quimbé – por indesculpável ignorância minha não faço ideia quem seja –, que diz: «Fantástico, o meu joelho está como novo».

Com fotos mais pequenas, homens e mulheres de diferentes idades exclamam como atingiram os seus objectivos: voltar a usar saias, ter energia, deixar a gulodice, as canadianas ou de sentir ruídos nos ouvidos.

Suplemento de CLA (ácido linoleico conjugado) com chá verde (que contém catequinas), sulfato de glucosamina, condroitina, crómio, garcinina, coenzima Q10, carnitina, ginko biloba, magnésio, Q10, óleo de peixe, selénio e prelox são alguns dos “ingredientes” para o milagre.

À beira dos artigos, todos com testemunhos que atestam os resultados fantásticos conseguidos com a ingestão destas substâncias, estão anúncios devidamente identificados com a palavra publicidade. Será que isso é suficiente?

Todos os leitores desta revista publicada pela House of Trends Company, distribuída gratuitamente, percebem que os artigos são apenas e tão só publicidade a suplementos alimentares? Pode argumentar-se que não são medicamentos, mas mesmo assim...

Vale a pena ver:

Publicidade do Medicamento


Publicidade dos medicamentos de uso humano

O rigor na publicidade sobre medicamentos não é para todos

Publicidade a medicamentos: um universo muito específico

Indústria Farmacêutica: Dinheiro gasto em publicidade é o dobro do investido em I&D

Doentes à força!

Publicidade a medicamentos na televisão


Em casa da Albertina abusam da cocaína

Os anúncios a medicamentos na revista Farmácia Distribuição: os elementos linguísticos que interpelam directamente o farmacêutico


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 23:13:07 | Link permanente | Comments (1) |

Fevereiro 28, 2008

Alguém sabe a resposta?

«O que leva um jornalista a reproduzir acriticamente uma informação? E a aceitar como fonte parte interessada do assunto?»

Samuel Silva, no Colina Sagrada
Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 23:57:17 | Link permanente | Comments (0) |

Fevereiro 26, 2008

Pressão e/ou Manipulação

A propósito da famosa entrevista de Sócrates na SIC (ou terá sido ao Expresso... ou aos dois... enfim... pouco interessa), não há "santo" que não fale da condução da dita, pelos profissionais que o fizeram.

Voltam à ribalta a questão da pressão e da manipulação, da ética e da deontologia, da comunicação e da propaganda.
Quanto à questão da entrevista (a que eu poderia chamar outra coisa) até entendo os pudores dos colegas, não entendo é o espanto (ou talvez não) da oposição. Dirão que não me cabe entender e se calhar...

Quando se fala das pressões sobre redacções e jornalistas, provocadas, ou não, por assessores e gabinetes de comunicação, parto do princípio que estamos a falar de algo que não é novo. Não tenho a inocência de pensar o contrário.
Também acho que, qualquer factor (chame-se pressão, chamada de atenção, consciencialização, ou outro) que faça um jornalista reler e reavaliar o seu "escrito" não constitui, forçosamente, um facto reprovável. Coagir a atitude do jornalista, levando-o a equacionar a sua deotologia profissional, isso sim, constitui algo de grave.

Também acho que as ditas pressões podem ser do foro político, mas também o podem ser do foro economico-financeiro (e destas, estranhamente, fala-se muito pouco).

Preocupa-me, sim é verdade, a propaganda embrulhada em "papel" de entrevista ou notícia, no entanto, que dizer das chamadas "publi-reportagens", que são artigos publicitários embrulhados em "papel" de reportagem.
Sei que nisto não há consenso, mas, para mim, havendo jornalista pelo meio, são exactamente a mesma coisa: Manipulação.

E a fronteira parece tão ténue!
Escrito por Pedro Costa em 20:49:55 | Link permanente | Comments (2) |

Chegou



É um semanário de distribuição gratuita, com 16 páginas e tiragem de 2 mil exemplares.
É a edição impressa do ComUM.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 03:08:49 | Link permanente | Comments (0) |

Fevereiro 25, 2008

Os cães, os homens e os jornalistas

Diz a regra do tempo da “arqueologia do jornalismo” que notícia é quando um homem morde um cão. Ora, vemos que cada vez mais a notícia é quando o cão morde o homem. E perspectiva-se, como dizia aqui Elisabete Carvalho, que «por este andar, um dia destes, também será notícia o cão que tinha intenção de morder o homem».

A minha dúvida é: há mesmo mais cães a morder os homens ou, à semelhança do que se passa com a apreensão de droga, há apenas mais notícias sobre esta questão, levando a uma espiral securitária (também, por exemplo, no Fado Falado) em relação aos canídeos? É que já há quem olhe com desconfiança para os chiuauas, que como toda a gente sabe e esta notícia demonstra são muito perigosos.

Mais aqui e aqui.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:31:50 | Link permanente | Comments (0) |

Fevereiro 24, 2008

Formatos Musicais, Programas de Autor... e agora?

(É verdade. Uns tempos arredio, mas de volta... cabe-me 33.3% desta "sociedade"... vamos lá alimentar a caldeira.)
Ainda me lembro.
Já lá vão uns bons anos (nem me atrevo a dizer quantos) desde o tempo em que eu, nas minhas primeiras emissões de rádio, caprichava a apontar os discos de vinil em pré-escuta, para a seguir desfrutar do prazer de uma mistura ao sabor da intuição.

Vivíamos a era dos programas de autor. Lembro-me de, na minha infância, acompanhar algumas grandes referências dos anos 80, como o "Rock em Stock" ou o "Discoteca". Que grandes momentos de rádio!
Homens como Luis Filipe Barros ou Adelino Gonçalves não se limitaram a marcar uma geração de "radio-comunicadores". Eles ensinaram Portugal a consumir a musica pop, a viver nela, num contexto, também ele pop, da rádio no pós-25 Abril.

A época dos programas de autor trouxe algumas verdadeiras pérolas da comunicação em rádio. De cariz musical, cultural, informativo, ou qualquer outro, cada programa tinha a sua identidade independente, normalmente conferida e marcada pelo protagonista que conduzia a emissão. 

Nos tempos mais recentes, vestígios dessa concepção ainda persistem.
Não será dificil prever que, por exemplo, o "Oceano Pacífico" não o será... tão pacífico sem o João Chaves. 
Há poucos anos atrás, já no advento dos formatos musicais, percebeu-se que substituir Pedro Tojal no programa da manhã da RFM, obrigou a uma reformatação de todo o programa.

O que são, afinal de contas, formatos musicais?
São estações de rádio formatadas em torno de determinados estilos musicais, criteriosamente escolhidos para captar auditórios de determinados target's.
O que hoje nos é oferecido pela esmagadora maioria das estações de rádio (principalmente as de cobertura nacional ou parcialmente nacional), são formatos musicais, direccionados a determinados públicos, captados por sequências repetidas de musicas, organizadas em "play-list".
Nesta concepção o comunicador perdeu protagonismo, graças à afirmação da personalidade da rádio no seu todo, mais definida do que nunca.

Nesta era, regista-se ainda um fenómeno de mercado, com grupos de rádio a articular-se numa lógica de portefólio. Por exemplo, o Grupo Renascença tem a Mega FM (dos 15 aos 25 anos), a RFM dos (dos 25 aos 45 anos) e a RR (dos 45 aos 65 anos) concorrendo nestes target's com a Media Capital, que detém a Cidade FM, Comercial e Rádio Clube Português.

E agora? Para onde caminhamos?
A mim, parece-me que, continuando neste processo de "americanização" social, também na rádio, o futuro terá ouvintes exigentes, críticos e cansados de lógicas musicais repetitivas. Acredito que a "Geração iPod ou MP3" exigirá da rádio um papel complementar, que não seja o actual, de ruído de fundo.

Um futuro com o conceito de "talk-radio" (e não somente de news-radio), com espírito crítico, interventivo e reflexivo, será o que, provavelmente, gerará audiências daqui a um bom par de anos.
 

Escrito por Pedro Costa em 00:48:52 | Link permanente | Comments (0) |

"Conversa Improvável" no Espaço Pedro Remy

Franscisco Sande Lemos, professor jubilado de Arqueologia, e Fernando Alexandre, docente do Departamento de Economia da Universidade do Minho, debatem, amanhã, a partir das 21h30, no Espaço Pedro Remy, em Braga, o tema “História e economia”.

Esta é a segunda sessão das "Conversas Improváveis" do “Café Blogue”, uma iniciativa dos blogues Avenida Central, Colina Sagrada, Disputa, Fontes do Ídolo, Mal Maior e Mesa da Ciência.

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 00:40:52 | Link permanente | Comments (0) |

Fevereiro 23, 2008

(A falta de) Bom senso

«Os dez artigos do Código Deontológico do Jornalista constituem uma carta de deveres e de interdições que balizam um exercício correcto da profissão, criando condições necessárias à existência de um jornalismo de qualidade.

[...] São condições necessárias, mas não forçosamente suficientes, sobretudo se os profissionais de Informação encararem o Código Deontológico como é corrente interpretar-se a lei: tudo o que não é expressamente proibido é permitido ou, no mínimo, não é ilegal.

Na actividade jornalística há inúmeras situações que estão a montante da deontologia e que remetem para uma ética da profissão, quando não para um simples julgamento que revele bom senso.»


Mário Bettencourt Resendes
Provedor dos leitores do DN
em As respostas que não estão no Código Deontológico


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 13:23:50 | Link permanente | Comments (0) |

Fevereiro 22, 2008

Um cinema só pra mim

Apesar do «acentuado e generalizado reforço do processo de privatização do consumo de conteúdos cinematográficos na esfera doméstica», sublinhado por Rita Cheta, eu continuo a gostar de cinema.... no cinema.

Como fico profundamente agoniada com o cheiro de pipocas produzidas em doses industriais, tenho alguns problemas quando vou aos “novos” cinemas do Braga Parque (Lusomundo).

Hoje, fui à sessão das 00h10 do BragaShopping (Cinemax) ver o filme Michael Clayton (aqui e aqui). E tive a sala só para mim e para três queridos amigos. Lembrei-me dos tempos em que o “Teatro Circo” tinha sala de cinema, quase sempre invariavelmente deserta...

O estudo “Cinema em Ecrãs Privados, Múltiplos e Personalizados. Transformação nos consumos cinematográficos” pode ser encontrado aqui (ver também aqui, aqui e aqui).


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 09:25:14 | Link permanente | Comments (1) |

«Fomos empobrecendo o olhar»

«Este diferencial entre o fluxo diário de notícias, que é alimentado em grande parte pela indústria do press-release e da comunicação, e a realidade observada com distanciamento sempre existiu. Era para o analisar que dispunhamos, na Antiguidade Clássica do Jornalismo, das figuras da reportagem e da investigação: um jornalista ou grupo deles dispunha de um conjunto invulgar de tempo, recursos e protecção das chefias para espremer a espuma dos dias e os seus intervenientes e daí extrair informação com mais valor.

Com o gradual desaparecimento do tempo, dos recursos e da protecção das chefias aos jornalistas que podiam e sabiam esgravatar os diferenciais em busca de pepitas de informação, fomos empobrecendo o olhar e ficando reféns do jornalismo-ticker.

É lamentável que seja um press-release a vir desmentir o que o conjunto anterior de press-releases deu a entender ao longo do ano, pela imperiosa necessidade de fazermos um reality-check.

Não surpreende, portanto, que as investigações individuais publicadas depois nos blogs ocupem um espaço desmesurado (desmesurado dada a relatividade de investigações marcadamente biased) na atenção das audiências — algumas das quais especializadas e até do meio jornalístico, uma ironia amarga a que assisto com maior preocupação.
»

Paulo Querido, no Mas Certamente que Sim!

Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 09:20:13 | Link permanente | Comments (0) |
1 2 3 4 5