Julho 30, 2008

Vão "limpar" rádios em 2009?

Estão prestes a cumprir-se 20 anos após as primeiras legalizações das rádios locais em Portugal.
A partir do início de 2009, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não terá mãos a medir, para apreciar processos de renovação de alvarás de radiodifusão, pois cumprem-se mais 10 anos (prazo de validade de cada alvará).
Sei - e não me parece mal - que a ERC será colaborante, mas passará estes dossier's a pente fino, no sentido de salvaguardar que os projectos editoriais são o que parecem, isto é, cada processo de renovação é acompanhado de uma dose burocrática q.b., como se da atribuição de um novo alvará se tratasse.

No entanto, depois da primeira renovação, em 1999, algo mais mudou do que a entidade reguladora - lembro a menos fiscalizadora, mas também menos flexivel e menos pedagógica AACS - pois não esqueçamos a alteração da Lei da Rádio, em 2001, que trouxe algumas nuances paradigmáticas, nomeadamente na intransmissibilidade dos alvarás de radiodifusão.

Algo que, quanto a mim, será uma grande dor de cabeça nos centros de decisão destas matérias, será o facto da lei prever que o objecto social (actividade principal) das entidades detentoras de alvarás de radiodifusão seja mesmo o da radiodifusão, impreterivelmente. Ora, é sabido que são vastos os casos de estaçoes de rádio detidas por associações e cooperativas de outra natureza, como são os casos de associações humanitárias de bombeiros, por exemplo.
Entre mais de 300 estações de rádio, não são tão poucos os casos, quanto se possa pensar!

Que farão estas entidades, perante a intransmissibilidade do alvará e perante a sua normal natureza social? 
Que fará a ERC perante esta incompatibilidade e perante o dilema burocracia / direito moral?

Sabemos que 2009 é ano de muitas coisas.
Muitos processos de renovação de alvará para avaliar (as primeiras renovações arrastaram-se por dois anos), curiosamente, também um ano com muitos mandatos políticos para renovar.

Escrito por Pedro Costa em 08:00:25 | Link permanente | Comments (1) |

Julho 29, 2008

Mas há jornalistas precários?

O Grupo de Trabalho sobre Precariedade e Jornalismo Freelance/Sindicato dos Jornalistas acaba de lançar um inquérito para determinar quantos são, quem são, onde trabalham e como trabalham os jornalistas precários portugueses.

Na sequência dos encontros de Maio (Lisboa e Porto) de jornalistas freelance e precários, está lançado um inquérito aos jornalistas com vínculo precário – recibo verde, contrato a termo ou outro – e também aos correspondentes dos órgãos nacionais dispersos pelo país.
O questionário de resposta fácil e protegido pela maior confidencialidade, é essencial para se conhecer melhor a situação dos jornalistas em situação de precariedade. No Outono, dizem eles, publicam os resultados finais.
O Grupo de trabalho (que raça de nome) quer também conhecer mais aprofundadamente as histórias de vida, os testemunhos que os jornalistas queiram partilhar, as denúncias que queiram fazer. Também nestes casos, a confidencialidade da origem, se solicitada, será garantida.

Eu vou sacar um questionário e já volto...
Escrito por Pedro Antunes em 16:11:23 | Link permanente | Comments (2) |

Julho 28, 2008

Nem só de jornalistas vivem as redacções

«(...) Com uns tenros 22 aninhos, pensava eu, que uma secretária de redacção serviria para atender telefones e pouco mais. Com o tempo, descobri que, entre atender telefones, fazer agendas, marcar fotografias, estabelecer a ponte entre os jornalistas e editores, passar horas intermináveis em reuniões, atentas aos mais infímos pormenores (que são os que fazem a diferença…), marcar serviços, falar com os correspondentes, etc, o meu papel ía muito mais longe do que isso e era essencial numa redacção onde trabalhavam cerca de 50 pessoas, que é o mesmo que dizer, 50 seres humanos, com sucessos e fraquezas para gerir, quase 24 sobre 24 horas».

Sónia Pessoa escreve, no "Os livros que ninguém quis dar a ler", sobre o secretariado de redacção. Uma chamada de atenção pertinente porque nem só de jornalistas vivem as redacções.


Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 23:31:56 | Link permanente | Comments (2) |

Julho 26, 2008

«Lugares de Portugal que só “existem” de vez em quando»

O “Sexta” faz manchete com a pergunta “Quantas vezes se fala de Paredes de Coura?”, chamando a atenção para uma reportagem sobre as «terras que só são faladas uma vez por ano». Lá dentro, o título é “Dias que valem por um ano”.

O jornal gratuito começa logo com um disparate na primeira página: afirma que o Festival Heineken Paredes de Coura se realiza «dentro de um mês», quando começa já na próxima quinta-feira. Ora aqui está um exemplo do que não se deve fazer: só falar uma vez por ano e ainda por cima dizer asneiras na manchete.

No artigo, a confusão é total. No início diz-se que o festival começa a 31 de Agosto, mas mais à frente já se refere que decorre «até dia 3 de Agosto».

Quem recebeu o “Sexta” por ter comprado o “Público” deve ter reparado que o Ípsilon dedica duas páginas aos Sex Pistols, que actuam no primeiro dia do festival de Coura. E aí a data está correcta.

A lista de localidades das quais, segundo semanário, só se fala «uma vez por ano» inclui também Vila Nova de Cerveira, apresentada como sendo «conhecida pela ligação a Goyan», embora ofereça «muito mais». Qual é o português que não conhece Goyan?!

O artigo lembra ainda os extintos festivais de Vilar de Mouros (que deve regressar para o ano) e de Vieira do Minho. A notícia, no segundo caso, seria igualmente a possibilidade de regresso do Festival Ilha do Ermal em 2009, mas não houve espaço para falar desta vila. Talvez para o ano.

A reportagem refere que esta «é, provavelmente, a primeira vez este ano que a vila [de Paredes de Coura] faz notícia. É preciso um grande evento para ser falada». (Por acaso, ainda há pouco tempo quase todos os nacionais falaram de uns garranos mortos a tiro no Corno de Bico, uma área com um nome pitoresco, que dá para fixar...) Nesta perspectiva, os órgãos de informação locais e regionais pouco ou nada parecem contar. Não «fazem notícia»....

Depois, pode ler-se que «música, arte, touradas ou feiras temáticas costumam ser motivo para notícia». Continuo fascinada com os critérios de noticiabilidade. Os mesmos critérios que, aliás, já levaram Paredes de Coura a aprovar um voto de repúdio pela «deficiente» cobertura que a RTP faz dos acontecimentos e iniciativas do concelho...

Este é um tema muito interessante. Porque é que há, em Portugal, «inúmeros» lugares «que só “existem” de vez em quando»? E porque é que há «terras que já nem uma vez por ano são noticiadas»? O que preciso fazer para se ser notícia? É obrigatório ser-se notícia?

Foto retirada do site do Festival de Paredes de Coura





Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 02:41:34 | Link permanente | Comments (3) |

Julho 24, 2008

RTP transmite Liga Sagres

A RTP venceu o concurso para a transmissão dos jogos de futebol da Liga Sagres, nas próximas duas épocas, após ter chegado a acordo com a SportTV.

A empresa considera que a decisão «premeia a capacidade das direcções de programas e de informação, que foram capazes de construir uma proposta que, respeitando escrupulosamente os limites orçamentais definidos para a empresa e através da troca de conteúdos, foi considerada a mais competitiva».

O director geral da TVI já reagiu, lançando acusações ao executivo. «Não é do desconhecimento geral que este Governo convive mal com a Comunicação Social e com a liberdade que a sua actividade implica. Isso é notório relativamente aos operadores privados da televisão e, em particular, à TVI. Se não se pode dominá-los ou controlá-los, ao menos, pode-se enfraquecê-los», escreve José Eduardo Moniz.

Sobre a RTP e o desporto, ler aqui as opiniões dos promotores da petição pela pluralidade desportiva no serviço público, Carlos Ribeiro (Vimaranes) e Pedro Morgado (Avenida Central), e aqui as da docente da Universidade do Minho Felisbela Lopes.






Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 03:50:17 | Link permanente | Comments (0) |

Julho 22, 2008

A TV do Futebol











Numa altura em que a petição lançada por Carlos Ribeiro (Vimaranes) e Pedro Morgado (Avenida Central) colocou as relações entre a televisão e o futebol na ordem do dia, é obrigatório ler ou reler "A TV do Futebol", um livro coordenado por Felisbela Lopes e Sara Pereira. Mais no A Culpa é Sempre dos Jornalistas.
Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 01:50:25 | Link permanente | Comments (0) |

Julho 15, 2008

As crianças têm direitos

Uma estudante de jornalismo questionava-se, há algumas semanas, se deveria identificar os menores deficientes sobre os quais estava a fazer uma reportagem, mesmo depois de ter obtido a autorização dos pais.

Infelizmente a preocupação com a protecção da imagem das crianças não passa pela cabeça de muitos jornalistas, alguns até com largos anos de exercício profissional. Basta dar uma vista de olhos às bancas de revistas e jornais para constatar esta realidade.

Isabel Stilwell reflecte no Destak sobre um caso que a deixou em estado de choque: «Uma coisa é a "silly season", em que se vão buscar umas parvoíces para encher as páginas. Outra é a maldade, o terrorismo psicológico e o abuso dos direitos das crianças».

Esta é uma questão demasiado séria para continuar a ser negligenciada, seja ou não "silly season".



Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 02:23:20 | Link permanente | Comments (2) |

Julho 08, 2008

Jornalismo?

Maria Morena é o pseudónimo de uma jornalista que assina um trabalho na edição desta semana da Notícias Sábado. Essa jornalista ficou grávida, decidiu fazer um aborto e depois contar a sua “estória”. O relato é acompanhado por uma conversa com a médica que a atendeu, de uma pequena caixa com o resultado de 38 telefonemas para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde que realizam abortos e outra com os números das interrupções voluntárias da gravidez.

Estes artigos levantam algumas questões:

1 – Estamos perante o exercício de jornalismo?

2 – O que um jornalista escreve é jornalismo se cumprir o aspecto formal dos géneros jornalísticos? Depende dos temas? Depende da intenção? Depende do meio em que for publicado? De que depende?

3 - Há alguma diferença substancial entre fazer um aborto e contar a “estória” na primeira pessoa, entre fazer uma dieta e escrever sobre a perda de peso ou entre ir viver três meses para rua uma reportagem sobre os sem abrigo?

4 – Verifica-se alguma colisão com o artigo 1.º do Código Deontológico, que diz que «o jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público»?

5 – E em relação ao artigo 10.º do Código Deontológico, que refere que «o jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses»?

6 – O Estatuto do Jornalista estipula que «é condição do exercício da profissão de jornalista a habilitação com o respectivo título, o qual é emitido por uma Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, com a composição e as competências previstas na lei». É diferente o texto estar assinado com o nome que a jornalista tem na carteira profissional ou estar assinado com um pseudónimo?

7 – Estamos perante uma verdadeira entrevista quando a autora do texto diz: «decidi [...] também convidar a médica Maria José Alves a escutar as minhas questões, enquanto jornalista; já tinha escutado também os meus apelos, enquanto paciente, no pico da agonia»? Onde termina a paciente e começa a jornalista? Onde termina a médica-assistente e começa a entrevistada?

8 – A mulher fotografada é a jornalista? Se é, para quê o anonimato, uma vez que ela será facilmente reconhecida nos meios mais próximos? Se não é, a imagem visa exactamente o quê?

Sobre este assunto, o comentário de Ademar Santos no Abnoxio



Escrito por Luísa Teresa Ribeiro em 00:36:45 | Link permanente | Comments (2) |

Julho 07, 2008

Farto

Pelos vistos, a noticia de hoje é um incêndio num prédio em Lisboa que desalojou não sei quantas pessoas. Mais do mesmo, portanto. Enchem-se jornais com estas futilidades. E eu contigo sem perceber a sua utilidade. No resto do país, há situações mais graves que nem sequer merecem uma nota de rodapé...Enfim...

Mas este é também o reflexo do Portugalzinho que temos. Apontam-se espingardas mas não se dá um tiro, tal como na famosa revolução lusa. O serviço público de televisão tem espalhado pelo país, um conjunto de correspondentes e delegações: a sua grande maioria vai fazendo, estoicamente, o seu trabalho. Excepto um caso: Viana do Castelo.

Houve um acidente com um autocarro que provocou um morto? Nem uma referência na televisão pública! S. João em Braga? Nem uma referência! Acidente em Famalicão com uma ambulância ? Nem uma refêrencia! Incêndio num prédio no centro de Braga com um morto? Nem uma referência!

Desculpem o desafabo: mas eu estou a marimbar-me se a televisão pública tem uma delegação em Braga, Guimarães ou Viana do Castelo. Eu quero é que a delegação afecta ao Minho se comporte com dignidade e faça o seu trabalho. Não estamos nós a alimentar uma delegação que não existe, nem serve para nada? Querem uma prova? Jornal das regiões ao final da tarde na RTP. Quantas reportagens feitas no Minho pela delegação do Minho passaram ao longo do mês de Junho no dito programa? Uma!!! E feitas por Vila Real? 8. Por Bragança? 10. Por Viseu? 6.

Não deveriam os políticos mudar o azimute das suas queixas e centrarem-se neste escândalo? Não deveriam os políticos regionais direccionar as suas queixas para este sorvedouro de dinheiros públicos, inexistente e ineficaz, logo incompetente e pugnar pelo seu encerramento? Sim, eu prefiro não ter do que ter uma coisa que não serve para nada. E o que temos quando temos é mau. Lembro-me de um reportagem feita, recentemente, na Galiza: cheguei ao fim e não percebi nada, nem o alcance nem os objectivos.

Só no dia a seguir é que se me fez luz: ao actualizar a leitura dos jornais percebi que a dita reportagem tinha saído de um jornal nacional. E fiquei convencido que quem a fez nem a noticia leu. Ouviu o que lhe pediram para fazer; foi lá, quem sabe contrariada, e pronto já está...

Será que sou eu o único a estar farto desta forma de encarar e de fazer as coisas?
Escrito por Pedro Antunes em 11:49:23 | Link permanente | Comments (0) |

Julho 04, 2008

Consumo de Rádio on-line aumenta no Reino Unido

Segundo revela o jornal Briefing, o número de ouvintes de rádio on-line, bem como de podcasts, aumentou desde Novembro 2007.

Um estudo realizado pela Rajar (Radio Joint Audience Research) revelou que,
no Reino Unido, 14,5 milhões de cibernautas ouvem rádio a partir da internet, mais 2,5 milhões que em Novembro.
O podcast também se tornou mais popular, sendo que o número de downloads aumentou de 4,3 milhões para 6 milhões. Um dado surpreendente, mas sem dúvida
 interessante da pesquisa foi o facto de 53% dos inquiridos admitir fazer o download de podcasts com publicidade, caso estes fossem disponibilizados gratuitamente. Um factor que altera uma ideia pre-concebida de rejeição.

É verdade que esta é uma realidade britânica, mas, não teremos em Portugal, indicadores semelhantes?

Escrito por Pedro Costa em 11:09:37 | Link permanente | Comments (0) |