Wednesday, September 17, 2008

Uma nova televisão

O Parlamento Europeu lançou hoje, em Bruxelas, o seu canal de televisão em linha (Internet) - EuroparlTV - que possibilita o acompanhamento das actividades parlamentares e a aproximação esta instituição aos cidadãos europeus num formato moderno e criativo.

O EuroparlTV está, na realidade, dividido em quatro canais, cada um dirigido a uma audiência diferente: O Parlamento de Todos, A sua Voz, Europa Jovem e Parlamento em Directo.

Qualquer pessoa com acesso à Internet tem acesso a estes canais na página www.europarltv.europa.eu com todos os programas a serem dobrados ou legendados em mais de 20 línguas, entre as quais a portuguesa. 

Posted by Pedro Antunes at 13:36:05 | Permalink | No Comments »

Crime com data marcada

O título “Braga: esfaqueamento mortal adiado para 13 Novembro” [Via Avenida Central] é da mesma “escola” do que diz que o “Assassínio de ex-autarca vai ser repetido“. Esta é uma estirpe ligeiramente diferente daquela que frequentemente nos dá conta de homens e mulheres que “aparecem mortos”. Igualmente mau é quando se “acorda morto”, como alguém disse recentemente em declarações à comunicação social.

Em relação a casos de homicídio, há alguns clássicos, tais como “Parece que ela foi morta pelo seu assassino”, “A vítima foi estrangulada a golpes de facão” ou “À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel”.

A combinação de algumas “pérolas básicas” é praticamente infinita e está constantemente a ser exercitada. Os erros dos jornalistas até já têm direito a apresentações Powerpoint a circular pelos e-mails, rubricas específicas nos blogues e um espaço em crescimento no YouTube. Algumas gralhas – como esta, esta ou esta – já fazem parte do anedotário nacional. Afinal, todos os dias há novos carregamentos de matéria-prima…. Mas quem nunca errou que dê a primeira facada…

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 05:37:17 | Permalink | Comments (2)

Monday, September 15, 2008

Para além de três mortes

A derrocada de um prédio no centro de Braga há uma semana é um bom pretexto para algumas reflexões sobre a cobertura noticiosa.

Casos como o da rua dos Chãos remetem mais facilmente para o imaginário que normalmente é associado ao trabalho jornalístico do que a imagem do jornalista sentado numa cadeira a tratar comunicados. E, no entanto, são duas faces da mesma moeda.

O trabalho no terreno, sobretudo num cenário em que há mortos, é sempre complexo, mormente para quem tem de fazer a cobertura em cima do acontecimento. E este acidente – à semelhança do que se passa quase diariamente com outras questões – mostrou que muito mais pode ser feito nas versões on-line dos meios de comunicação social, que em alguns casos mais não são do que o repositório dos takes da Agência Lusa.

Especialmente em situações em que há a lamentar a perda de vidas humanas, há sempre uma linha muito ténue, que pode ser facilmente pisada, entre o que é informar com base no interesse público e o espectáculo. Qual é o interesse público de divulgar as fotografias do casamento da pessoa que faleceu? Qual é o interesse público de mostrar o rosto dos cadáveres dentro dos caixões? Qual é o interesse público de expor as lágrimas da família de alguém que, por exemplo, se suicidou ou foi condenado por um crime?

Na minha aldeia, os mais velhotes costumam dizer que «na morte somos todos iguais». Mediaticamente não somos, mesmo que seja na hora da morte. Desde logo porque a personalidade envolvida é inevitavelmente um dos critérios de noticiabilidade, Entre uma personalidade conhecida e um “anónimo” é fácil de prever quem é que vai merecer mais atenção jornalística. Alguém imagina o pivô de abertura de um Telejornal a dizer “morreu o Zé Manuel de Algodres”?

Um dos riscos da actividade jornalística é a banalização das situações. Todos os dias se faz a ronda, isto é, telefona-se para as forças policiais e bombeiros para saber se há “casos do dia”, e muitas vezes ouve-se uma voz que diz que se registaram acidentes com mortos, assaltos com feridos ou incêndios com elevados prejuízos materiais. A desgraça faz parte do dia-a-dia de trabalho de quem está nos dois lados da linha. Isso pode fazer com que as vítimas se transformaram em mais uma “ocorrência”, sem nome e sem rosto. Apenas e tão só mais um/a.

Também não nos podemos esquecer dos factores de ordem cultural que inevitavelmente enquadram e condicionam o trabalho dos jornalistas. Quais seriam os títulos se debaixo dos escombros tivessem ficado três imigrantes ilegais em vez de três homens de uma freguesia de Ponte de Lima?

Por outro lado, em relação ao tratamento jornalístico dos acontecimentos, é forçoso pensar na distância geográfica. O ideal seria que os “media” tivessem meios para fazer uma cobertura equitativa do seu território de abrangência. Na realidade, isso muitas vezes não acontece, o que faz com que haja um maior volume de informação sobre as áreas onde se concentra a maior parte dos jornalistas, por norma a sede do órgão de comunicação.

Para além da vertente prática da deslocação dos jornalistas, a esta questão está associada a (des)valorização que é feita do que está para além dos horizontes conhecidos. E aí, para quem vê o país a partir da capital, a queda de uma árvore em Lisboa será provavelmente mais importante do que uma fábrica qu crie centenas de postos de trabalho em Viana do Castelo. Não será difícil imaginar as diferenças de cobertura de dois acontecimentos exactamente com as mesmas características só que um em Lisboa e outro, por exemplo, em Portalegre…

Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 04:56:01 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 10, 2008

Vou ali assaltar um banco e já venho

O Ministério da Administração Interna preparou-se para um Verão quente em termos de incêndios. Mas o fogo acabou por ser outro. O rastilho acendeu-se na área da criminalidade, que ganhou proporção de onda.

A questão da (in)segurança passou a estar na ordem do dia na comunicação social. Na televisão, nas rádios, nos jornais. De manhã, ao meio-dia e à noite.

No meio de medidas de emergência e de trocas de acusações entre políticos, eis que a comunicação social se vê no banco dos réus, acusada de contribuir para o aumento do número de crimes, de ter o poder de deformar a realidade e de criar ondas.

Embora especialistas garantam que o «crescimento do número de notícias sobre assaltos não fomenta um aumento da criminalidade», está lançado o debate sobre o papel da comunicação social, até porque esta é uma área normalmente apetecível (um estudo revela que, entre 2002 e 2006, «as notícias sobre segurança e criminalidade foram a quarta temática mais frequente nos noticiários televisivos do horário nobre»).

É com um programa dedicado à temática muito pertinente da cobertura da violência na informação jornalística que o Clube de Jornalistas regressa hoje à RTP2, às 23h30.

Octávio Ribeiro, director do “Correio da Manhã”, Pedro Coelho, jornalista da SIC e docente de Jornalismo Radiofónico na Universidade Nova, e o professor Francisco Rui Cádima, igualmente da Universidade Nova, são os convidados.

 

 


Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 02:07:18 | Permalink | No Comments »

Wednesday, September 3, 2008

Sofrer como um cão

O prémio Nobel de Literatura 1982, o colombiano Gabriel García Márquez, confessou “sofrer como um cão” pela má qualidade do jornalismo escrito e porque é raro encontrar artigos ou reportagens que sejam “autênticas jóias”.

O autor de “Cem anos de solidão” está em Monterrey, capital do estado de Nuevo León, norte do México, para participar na sétima edição dos prémios atribuídos pela Cementos de México (Cemex) e a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) nas categorias de texto, fotografia e carreira aos mais destacados jornalistas iberoamericanos.

Em conversa com os jornalistas antes de iniciar-se o “VI seminário internacional sobre la busca da qualidade jornalística“, em que participam mais de 100 profissionais do sector da América Latina, Europa e Estados Unidos, “Gabo” lamentou que o jornalismo actual se faça tão depressa, em consequência do que os jornalistas não podem pensar melhor o que escrevem.

Para García Márquez, ele próprio jornalista antes de se dedicar por inteiro à literatura, o jornalismo “é o ofício mais belo” e “contra isso não há nada a fazer”.

“Não há no mundo melhor ofício do que este, mas na minha idade já me aborrece muito”, disse.

Lê diariamente, de manhã, vários jornais e é sempre - classifica - “um desastre”, que o faz “sofrer como um cão”.

O Nobel colombiano tem a impressão de que os “media” não dão “tempo suficiente”
aos seus jornalistas. “Não lhes dão tempo. Fecham os jornais às 18:00, quando deviam fechá-los às 21:00″, observou.

Consciente de que, agora, ao contrário do que acontecia no seu tempo de jornalista, os jornais “têm de competir” com a rádio e a televisão, “Gabo” está, no entanto, convencido de que a escrita tem uma grande vantagem sobre os meios electrónicos.

“Escrever - argumentou - sai da alma. Os outros ´media’ são aparelhos, são máquinas”.

Nas suas leituras, o escritor encontra muito poucas reportagens ou artigos que possam ser consideradas “jóias” mas, quando isso acontece, pensa: “Quem será este tipo?”.

“Foi sempre assim - reconheceu - , mas, antes, havia uma vantagem: o jornal era mais difícil de fazer e as máquinas nunca funcionavam bem, o que nos dava tempo para pensar um bocadinho”

“Era essa - disse ainda - a vida dos jornalistas de antigamente. Então, sofríamos tanto que tínhamos de nos emborrachar todas as noites”.

RMM/Lusa

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Posted by Luísa Teresa Ribeiro at 01:55:55 | Permalink | No Comments »