Julho 07, 2008

Farto

Pelos vistos, a noticia de hoje é um incêndio num prédio em Lisboa que desalojou não sei quantas pessoas. Mais do mesmo, portanto. Enchem-se jornais com estas futilidades. E eu contigo sem perceber a sua utilidade. No resto do país, há situações mais graves que nem sequer merecem uma nota de rodapé...Enfim...

Mas este é também o reflexo do Portugalzinho que temos. Apontam-se espingardas mas não se dá um tiro, tal como na famosa revolução lusa. O serviço público de televisão tem espalhado pelo país, um conjunto de correspondentes e delegações: a sua grande maioria vai fazendo, estoicamente, o seu trabalho. Excepto um caso: Viana do Castelo.

Houve um acidente com um autocarro que provocou um morto? Nem uma referência na televisão pública! S. João em Braga? Nem uma referência! Acidente em Famalicão com uma ambulância ? Nem uma refêrencia! Incêndio num prédio no centro de Braga com um morto? Nem uma referência!

Desculpem o desafabo: mas eu estou a marimbar-me se a televisão pública tem uma delegação em Braga, Guimarães ou Viana do Castelo. Eu quero é que a delegação afecta ao Minho se comporte com dignidade e faça o seu trabalho. Não estamos nós a alimentar uma delegação que não existe, nem serve para nada? Querem uma prova? Jornal das regiões ao final da tarde na RTP. Quantas reportagens feitas no Minho pela delegação do Minho passaram ao longo do mês de Junho no dito programa? Uma!!! E feitas por Vila Real? 8. Por Bragança? 10. Por Viseu? 6.

Não deveriam os políticos mudar o azimute das suas queixas e centrarem-se neste escândalo? Não deveriam os políticos regionais direccionar as suas queixas para este sorvedouro de dinheiros públicos, inexistente e ineficaz, logo incompetente e pugnar pelo seu encerramento? Sim, eu prefiro não ter do que ter uma coisa que não serve para nada. E o que temos quando temos é mau. Lembro-me de um reportagem feita, recentemente, na Galiza: cheguei ao fim e não percebi nada, nem o alcance nem os objectivos.

Só no dia a seguir é que se me fez luz: ao actualizar a leitura dos jornais percebi que a dita reportagem tinha saído de um jornal nacional. E fiquei convencido que quem a fez nem a noticia leu. Ouviu o que lhe pediram para fazer; foi lá, quem sabe contrariada, e pronto já está...

Será que sou eu o único a estar farto desta forma de encarar e de fazer as coisas?
Escrito por Pedro Antunes em 11:49:23 | Link permanente | Comments (0) |
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